Função do grito de agonia de Scinax x-signatus

IAN BERTO SILVA PEREIRA

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO (UFERSA)

Daniel Cunha Passos

Universidade Federal Rural do Semi-árido

https://orcid.org/0000-0002-4378-4496

Arthur Vinicius Caetano de Oliveira

Universidade Federal Rural do Semi-árido

https://orcid.org/0009-0000-0153-8708

Jefferson Senna Nunes de Moura

Universidade Federal Rural do Semi-árido

Palavras-chave: Comportamento animal, ecologia comportamento, etograma, anfíbio


Resumo

A comunicação acústica é essencial para os anuros e ocorre em variados contextos sociais, exercendo diversas funções, que vão desde a atração de parceiros sexuais (canto de anúncio) até a proteção contra predadores (canto defensivo). A popularmente conhecida como rã de banheiro, Scinax x-signatus (Spix, 1824), é um pequeno hilídeo amplamente distribuído e abundante no Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil. Seu canto de anúncio é bem conhecido, mas seu canto defensivo foi descoberto apenas recentemente por pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Comportamento Animal – LECA da Universidade Federal Rural do Semi-Árido. O objetivo desta pesquisa foi elaborar um etograma de Scinax x-signatus para ser utilizado como referência para futuros experimentos testando a função do canto defensivo da espécie. Coletamos manualmente 10 indivíduos Scinax x-signatus através de buscas ativas nas áreas de vegetação natural do Campus da UFERSA em Mossoró. Os animais foram alocados em recintos individuais, representados por terrários de vidro enriquecidos com galhos e cascas de árvores. Os animais foram mantidos em cativeiro por um período de 48h, sendo as primeiras 24h destinadas ao período de habituação e entre as 24h e 48h foram realizados os ensaios comportamentais. Os ensaios consistiram no registro de todos os comportamentos realizados pelos indivíduos-alvo durante 30 minutos, por método do animal focal. Os ensaios foram gravados com iluminação infravermelha e posteriormente analisados quanto a frequência e duração dos comportamentos. Todos os indivíduos foram devolvidos à natureza após os experimentos. Todos os procedimentos amostrais foram vinculados à licença de coleta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (licença #57169-4) e ao protocolo de experimentação animal aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais da UFERSA (parecer 20/2025). Os comportamentos observados foram classificados em três categorias, somando cinco comportamentais distintos. A categoria “Deslocamento” foi composta pelos comportamentos “deslocamento empoleirado” (mudança de posição em substrato elevado), “deslocamento no solo” (mudança de posição no solo) e “salto” (mudança de posição sem tocar no substrato). A categoria “Estacionário” (permanecer no mesmo ponto do terrário) abrangeu o comportamento “imóvel” (animal totalmente imóvel). A categoria “Manutenção” incluiu o comportamento de “esfregar os membros no corpo” (esfregar as extremidades dos membros anteriores e posteriores sobre a região dorsal e ventrolateral da pele e logo em seguida esfregar sobre o corpo) e “estar na água” (mergulhar, nadar ou boiar na água). Dos comportamentos analisados quanto a frequência (atos comportamentais): “saltar” (96,07%) foi o mais prevalente. Já os comportamentos analisados quanto a duração (estados comportamentais), os mais prevalentes foram “imóvel” (50,53%) e “deslocamento empoleirado” (43,35%). Em conclusão, esta pesquisa caracterizou detalhadamente o repertório comportamental de Scinax x-signatus, identificando e quantificando seus comportamentos mais relevantes. Os dados revelaram padrões consistentes com outros hilídeos, ressaltando o deslocamento em substratos verticalizados através de saltos. Esse etograma constitui uma base de referência para futuras investigações sobre a ecologia comportamental da espécie.