Linguagens da Arte nos Currículos da Educação Infantil: sentidos e experiências cotidianas de crianças e professores(as)
Thais Lopes de Araújo
UFERSA
ELAINE LUCIANA SOBRAL DANTAS
Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Departamento de Ciências Humanas - Campus Angicos. Gamaliel Martins Bezerra, 587
https://orcid.org/0000-0003-0331-8180
Milena Paula Cabral de Oliveira
Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Departamento de Ciências Humanas - Campus Angicos. Gamaliel Martins Bezerra, 587
https://orcid.org/0000-0001-7331-5175
Palavras-chave: Educação Infantil, Linguagens da Arte, Currículos, Atividades.
Resumo
A Educação Infantil no Brasil é instituída legalmente como primeira etapa da educação básica, ofertada às crianças de 0 a 5 e 11 meses em ação complementar à da família (Brasil, 1996; 2013). É compreendida como tempo-espaço de aprendizagem e desenvolvimento integral das crianças desde bebês - com especificidades etárias e direitos constitucionais. (Lopes; Oliveira; Dantas, 2022). As Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil - DCNEI (Brasil, 2009) e a Base Nacional Comum Curricular - BNCC (Brasil, 2017) definem os modos de organização dos currículos nesta etapa educativa, que devem ser pensados e desenvolvidos, tendo como elementos constitutivos, as interações e a brincadeira, articuladas as experiências com as diversas linguagens das crianças (Baptista, 2010; Gobbi, 2010). Nesse contexto, temos questionado acerca das relações entre os currículos construídos nos cotidianos da Educação Infantil e as especificidades e diversas linguagens das crianças, de modo mais específico: quais linguagens da arte constituem os currículos e as práticas cotidianas? Definimos, pois, como objetivos da pesquisa de iniciação científica: investigar sentidos de crianças acerca das linguagens da arte nos currículos da Educação Infantil; e analisar como as linguagens da arte se presentificam nas experiências oportunizadas às crianças na Educação Infantil. Nos ancoramos nas proposições da abordagem histórico-cultural de Vigotski (2005; 2007;2009) e do dialogismo de Bakhtin (1995; 2003). Realizamos sessões de observação participante e entrevista coletiva com crianças de 4 e 5 anos, em uma turma de pré-escola II de uma instituição pública de Educação Infantil do Sertão Central Potiguar. Observamos que as crianças têm uma rotina estruturada “seguida” cotidianamente. Na qual, não identificamos a presença de modo permanente das linguagens da arte nos espaços, artefatos e “atividades” da sala de referência. Algumas atividades pontuais são proporcionadas, como pinturas de desenhos prontos nas datas comemorativas. Estas seguiam padrões pré-definidos, sem diversidade de instrumentos e suportes para uso das crianças (Barbieri, 2012). A entrevista coletiva foi realizada em roda de conversa com a exposição de registros fotográficos feitos durante as observações. Em suas vozes, quando indagadas sobre o que é arte, as crianças fazem referência às pinturas, aos desenhos e ainda a arte como “ciência”. Em outro diálogo, sobre como elas fazem as atividades, elas nos revelam que usam cola, papeizinhos, coleção, lápis, e desenham laço e flor. Assim, percebemos que elas reafirmam a pouca diversidade de materiais e mencionam algumas situações com “desenhos livres”. Compreendemos, que os materiais ofertados às crianças devem ser variados e em quantidade suficiente (Jalles; Sena, 2011), para que elas possam explorar sua criatividade. No segundo momento, questionamos as crianças se as atividades registradas seriam arte e elas nos dizem que servem para mostrar às mães e aos pais, especialmente fazendo referência as produções das datas comemorativas. Concluímos, portanto, que as práticas educativas observadas e reiteradas pelas vozes das crianças, não possibilitam experiências estéticas de fruição, imaginação e criação com as linguagens da arte, por serem marcadas pela reprodução.
Biografia do Autor
ELAINE LUCIANA SOBRAL DANTAS, Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Departamento de Ciências Humanas - Campus Angicos. Gamaliel Martins Bezerra, 587
Pedagoga, Especialista em Educação Infantil, Mestre e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Professora Adjunta da Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA, Campus de Angicos, RN, Departamento de Ciências Humanas. Coordenadora do Curso de Licenciatura em Pedagogia. Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação - PPGEd - UFRN. Líder do Grupo de Pesquisa e Extensão em Educação da Infância, Cultura, Currículos e Linguagens - EDUCLIN (UFERSA/CNPQ). Membro do Grupo de Pesquisa Crianças, Infâncias, Cultura e Educação - CRIANCE (UFRN/CNPQ). Vice Coordenadora do Observatório da Educação Infantil do Rio Grande do Norte - ObservEI RN. Pesquisadora Orientadora do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica - PIBIC/CNPQ - PICI-PIVIC/UFERSA. Membro do Fórum de Educação Infantil do Rio Grande do Norte - FEIRN, vinculado ao MIEIB. Coordenadora Geral do Programa de Formação Continuada em Alfabetização para Profissionais dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental - Pró-Alfa RN e Assessora Pedagógica do Programa de Desenvolvimento Profissional Leitura e Escrita na Educação Infantil - LEEI RN vinculados ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada - CNCA/MEC. Coordenadora do Laboratório de Cultura Lúdica, Diversidade e Linguagens. Coordenadora de projetos de ensino, pesquisa e extensão com produções bibliográficas nas seguintes áreas: Educação Infantil; Currículos; Práticas Pedagógicas; Alfabetização, Leitura e Escrita; Literatura Infantil; Psicologia Histórico-Cultural; Aprendizagem e Desenvolvimento da Criança; Brincadeira.
Milena Paula Cabral de Oliveira , Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Departamento de Ciências Humanas - Campus Angicos. Gamaliel Martins Bezerra, 587
Atua como Pedagoga da Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA). Possui Doutorado e Mestrado em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (UFRN). Graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2006). Especialização em Educação de Jovens e Adultos (2006). Tem experiência na área de Formação de Professores, com ênfase em Educação de crianças de 0 a 6 anos.