Dinâmica Populacional do Peixe invasor Pterois volitans na costa Potiguar
Ana Amélia de Oliveira Sena
Ufersa
Emanuelle Fontenele Rabelo
Atílio Gabriel Xavier Nascimento
Monique Hugolina Morais
João Luiz Elias Pinheiro Duarte
Palavras-chave: Espécie invasora; Peixe-leão; Dinâmica populacional; Maturidade sexual; Comprimento padrão
Resumo
O peixe-leão (Pterois volitans) é uma espécie invasora de alto impacto ecológico, com potencial para reduzir a biodiversidade e afetar a pesca artesanal, representando uma ameaça crescente nos ecossistemas marinhos globais. A invasão do Atlântico, que começou na costa dos Estados Unidos, alcançou o Brasil com o primeiro registro em 2014 no Rio de Janeiro, e se acelerou devido aos seus atributos biológicos como altas taxas reprodutivas, rápido crescimento e ausência de predadores naturais. No Rio Grande do Norte (RN), a espécie foi registrada pela primeira vez em 2022, ampliando sua distribuição rapidamente pela costa potiguar. Diante disso, esse trabalho teve como objetivo realizar um levantamento de dados sobre a dinâmica populacional do peixe-leão na costa potiguar desde 2022 até o presente momento, gerando dados que possam subsidiar ações de controle da espécie. A metodologia baseou-se na análise de dados de ocorrência, densidade populacional e avanço geográfico fornecido por pescadores em diferentes municípios do litoral do RN entre 2022 e 2025, totalizando 204 peixes capturados. Para a análise de dinâmica populacional, foram realizados procedimentos de biometria e sexagem, incluindo a medição precisa do comprimento total (CT), peso e a observação direta das gônadas para determinação do sexo dos indivíduos. Os resultados de tamanho e peso corpóreo bem como maturidade sexual demonstram que a espécie está estabelecida e com uma rápida expansão em todo o litoral potiguar ao longo de três anos de estudo. A maior densidade populacional foi registrada entre 2023 e 2024. Setenta e três indivíduos apresentaram gônadas visíveis, sendo 46,6% fêmeas e 53,4% machos, a proporção de machos:fêmeas é aproximadamente 1:0,87. A estrutura de tamanho e peso dos indivíduos apresentou ampla variação, com a predominância de exemplares na faixa entre 4,5 e 34,8 cm de CT e 20 a 824,7 g de massa corporal. Esses valores são compatíveis com os registrados no habitat natural do Pacífico, conforme descrito na literatura sobre crescimento e estrutura corporal de Pterois volitans. Esses dados indicam correspondência entre os indivíduos do litoral do RN e as áreas nativas, indicando que estão bem adaptados ao novo ambiente. A presença de indivíduos de alta biomassa e faixa etária ampla e de tamanho, aliadas à expansão geográfica ao longo do tempo, reforçam o sucesso reprodutivo e a adaptação da espécie no litoral potiguar. Esses dados destacam a urgência de monitoramento contínuo e a necessidade de estratégias de manejo e controle para mitigar os impactos ambientais e socioeconômicos da invasão.