Losartana como modulador do perfil celular pacientes hipertensos tabagistas

Luzia Lorena Andrade Sousa

UFERSA

José Roberto Augusto dos Santos

Tiago Ian Reges Vidal

Ininy Iege Macedo Henrique

Emanuel Kennedy Feitosa Lima

Palavras-chave: Hipertensão Arterial Sistêmica, Tabagismo, Losartana, Inflamação


Resumo

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição inflamatória crônica caracterizada pelo recrutamento e ativação das células imunológicas associada a lesões em órgãos-alvo como coração, rins e pulmões. O tabagismo é um dos principais fatores de risco independentes para doenças cardiovasculares e pulmonares, contribuindo para o aumento do processo inflamatório. Nesse contexto, a losartana (Losa), antagonista seletivo do receptor de angiotensina II tipo 1 (AT1R), desperta interesse não apenas pelo efeito anti-hipertensivo, mas também por sua potencial ação antioxidante e anti-inflamatória (Liu et al., Archives of Biochemistry and Biophysics, 481:131–136, 2009). O objetivo do estudo foi investigar se a losartana pode modular o perfil celular em tabagistas hipertensos. (CEP: 6.859.452) A pesquisa foi conduzida no Ambulatório de Cardiologia e no Laboratório de Morfofisiofarmacologia da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), com pacientes hipertensos fumantes (F+Losa) ou não-fumantes (NF+Losa) tratados com losartana e pacientes normotensos (FN+Losa). Após triagem clínica, foi coletado 5 mL de sangue para contagem global de células e confecção de esfregaços para contagem de células diferencial. A contagem total foi realizada em câmara de neubauer e lâminas de esfregaço foram coradas pelo método de May-Grünwald-Giemsa. A análise estatística foi feita no GraphPad Prism 8, considerando p<0,05 como significativo. O grupo NF+Losa apresentou maior número de leucócitos totais (8281  ± 1245 cel/mL) em comparação ao grupo F+Losa (16,643 ± 4043 cel/mL; p<0,02). O número de monócitos no grupo FN elevou-se (7,0 ± 0,0 cel/campo), enquanto o grupo F+Losa apresentou um menor número de células comparado ao FN (4,5 ± 0,5; p<0,03) mas não diferindo do grupo NF+Losa. O grupo NF+Losa apresentou maior número de neutrófilos (51,58 ±  2,3 cel/campo) quando comparado ao grupo F+Losa (71,25 ± 6,7 cel/campo; p<0,01). O grupo FN apresentou menor número dessas células (50,00 ± 0,0 cel/campo) quando comparado ao F+Losa p < 0,05). Não foi observada diferença entre os grupos para o número de linfócitos. O grupo FN apresentou a maior número de eosinófilos (4,0 ± 0,0 cel/campo;) em comparação com NF+Losa (1,7  ± 0,3 cel/campo; p<0,01 ) e o grupo F+Losa (1,5  ± 0,5 cel/campo; p < 0,05). Losartana é capaz de modular o perfil de monócitos, linfócitos e eosinófilos mas não de neutrófilos em indivíduos fumantes.