Políticas e Práticas Organizacionais sensíveis ao gênero no contexto da indústria de Tecnologia da Informação
Letícia Maria Bandeira de Lucena
UFERSA
Jarbele Cássia da Silva Coutinho
UFERSA
Palavras-chave: Igualdade de gênero, Ações Afirmativas, Indústria de software, Tecnologia da informação
Resumo
O mercado de Tecnologia da Informação (TI) tem apresentado um crescimento expressivo, ano após ano. Incluindo no Brasil, que apresentou um crescimento acima da média global em 2024, o que tornou o Brasil o país da América Latina com maior porcentagem de investimentos nessa área. Apesar de todo esse crescimento nesse mercado, ainda é possível observar a ocorrência de disparidades, em especial, a de gênero. Com isso, se torna importante observar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres nas empresas desse setor, visto que, apesar de todo o crescimento desse setor, as mulheres ainda são um grupo sub-representado. Assim, este trabalho investigou a implementação de práticas e políticas de apoio ao ingresso e permanência de profissionais do gênero feminino no mercado de trabalho nas empresas de TI. Então, foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre políticas organizacionais sensíveis ao gênero, que serviu de base para a elaboração de um questionário online no Google Forms, composto por 52 questões distribuídas em oito seções temáticas. O público-alvo foi formado por profissionais da área de desenvolvimento de software, independentemente de gênero. Na execução, o questionário foi aplicado pela técnica de snowballing, com divulgação por meio de contatos diretos, LinkedIn e fóruns de TI, permanecendo disponível por 131 dias (de 14 de fevereiro a 24 de junho de 2025), e resultando em 31 respostas; em seguida, dados foram tratados no Google Sheets, com elaboração de tabelas e gráficos, além da criação de gráficos de barras divergentes na linguagem R para melhor visualização das respostas, sendo todos os artefatos disponibilizados no material suplementar do estudo. Os resultados evidenciam avanços relevantes, mas também desafios persistentes quanto à equidade de gênero nas empresas de TI analisadas. A amostra foi majoritariamente composta por participantes do gênero masculino, com faixa etária predominante entre 21 e 35 anos. Também observou-se que a maioria dos participantes se autodeclarou parda. Além disso, foi possível observar que a maioria dos participantes percebe a existência de políticas organizacionais sensíveis a gênero, que contribuem para a motivação, produtividade e um ambiente colaborativo mais positivo. Metade dos respondentes notou iniciativas e benefícios voltados às mulheres, enquanto grande parte concordou que há igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, abertura para relatar discriminação sem medo de represálias e presença de diversidade de gênero em cargos de liderança. Além disso, os processos de recrutamento e seleção foram apontados como justos, equitativos e voltados à promoção da diversidade. No entanto, pontos como suporte emocional, infraestrutura para pais e mães e campanhas de conscientização sobre gênero ainda carecem de fortalecimento. Em síntese, os resultados sugerem que, embora haja avanços estruturais importantes, é necessário ampliar o alcance e a efetividade das práticas que promovem o bem-estar e a equidade de gênero no setor de TI, com atenção às experiências reais das mulheres, para promover uma TI mais justa e inclusiva.