Investigação da Atividade Biodegradadora em Polietileno de Alta Densidade Utilizando Bactérias de Aterro sanitário

Thairone Irineu de Araújo

Universidade Federal Rural de semi árido

Lidianne Leal Rocha

Universidade Federal Rural do Semi Árido

Palavras-chave: Plástico, Biorremediação, Poluição, Mossoró / RN, Microrganismos


Resumo

O acúmulo de resíduos plásticos, como o Polietileno de Alta Densidade (PEAD), representa um problema ambiental global, exigindo o desenvolvimento de soluções sustentáveis. A biorremediação, utilizando microrganismos para decompor poluentes, é uma alternativa de baixo custo e ecologicamente correta para o tratamento de resíduos plásticos. Estudos apontam que microrganismos isolados de ambientes contaminados, como aterros sanitários, podem apresentar capacidade de degradar plásticos, visto que a exposição contínua ao plástico cria uma pressão seletiva que favorece microrganismos com capacidade de aderir, colonizar e utilizar – ainda que parcialmente – componentes do polímero como fonte de carbono ou energia. Diante disso, este projeto tem como objetivo geral avaliar o potencial de bactérias isoladas do aterro sanitário de Mossoró em degradar PEAD. Inicialmente, foi realizada a reativação em caldo nutritivo das 41 bactérias em estoque do LABIOMA, que foram previamente isoladas de solo, chorume e plásticos do aterro sanitário de Mossoró. Em seguida, foi realizada a repicagem em ágar nutriente para obtenção das colônias puras. Após a reativação, as atividades se concentraram na análise da capacidade de biodegradação de polietileno glicol (PEG) e na produção das enzimas Lacase, Lipase e Esterase. Todos os testes foram realizados em triplicata, para uma maior confiabilidade dos resultados. Para a biodegradação de PEG, utilizou-se a metodologia de Nademo et al. (2023) e foram identificados 25 isolados bacterianos com atividade degradativa. O isolado B2 10-4.1 apresentou a maior zona clara. Na análise da atividade da enzima Lacase, por meio da metodologia de Sheikhi et al. (2012), quatro isolados (B1 10-3, B2 10-4.2, C1 10-4 e D1 10-2) apresentaram resultados positivos, evidenciados pela alteração da coloração das colônias para tons de marrom escuro devido à oxidação do guaiacol. Para as enzimas Lipase e Esterase, seguiu-se a metodologia de Ramnath et al. (2017). A atividade Esterásica foi positiva em nove isolados bacterianos, observada pela formação de halos de precipitação de sais de cálcio ao redor das colônias. O isolado A2 10-3.5 apresentou o maior índice enzimático (IE) médio (2,41) para essa atividade. O IE é medido com o halo de precipitação (H) + diâmetro da colônia (C), dividido pelo diâmetro da colônia (C). No entanto, nenhuma das amostras avaliadas apresentou resultado positivo para a atividade Lipásica nas condições testadas, já que a precipitação do cloreto de cálcio, um critério indispensável, não foi observada. Os resultados preliminares alcançados sugerem a notável viabilidade na identificação de linhagens microbianas que detêm um grande potencial para a degradação do PEAD. A confirmação definitiva da real eficácia e capacidade desses isolados na biodegradação desse polímero recalcitrante impõe a necessidade de investigações mais aprofundadas, como a execução de ensaios de biodegradação utilizando amostras do próprio PEAD.