Eugenol reduz alterações da arquitetura pulmonar em modelo de DPOC induzida pela fumaça do cigarro em camundongos

José Roberto Augusto dos Santos

UFERSA

Antônio Leandro Lino Costa

Bruno Amorim do Carmo

Tiago Ian Regis Vidal

Emanuel Kennedy Feitosa Lima

Palavras-chave: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), Eugenol, Fumaça de cigarro


Resumo

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição prevalente e uma das principais causas de mortalidade global. O tabagismo figura como o principal fator de risco primário para o seu desenvolvimento. Os compostos nocivos presentes na fumaça do cigarro (FC) induzem estresse oxidativo no tecido pulmonar com recrutamento de leucócitos, principalmente neutrófilos e macrófagos, para o parênquima pulmonar. Uma vez ativadas, essas células liberam proteases, como elastases e metaloproteinases, que degradam a matriz extracelular alterando assim a arquitetura pulmonar. Esse processo proteolítico resulta na destruição dos septos alveolares, levando ao alargamento patológico dos espaços aéreos distais e ao aprisionamento aéreo, condição que caracteriza o enfisema pulmonar. Embora as terapias atuais proporcionem alívio sintomático, elas não promovem o reparo tecidual pulmonar nem previnem a progressão da doença. O eugenol (4-alil-2-metoxifenol), um fenilpropanóide com propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras, demonstrou recentemente atenuar a lesão pulmonar aguda induzida por FC. Assim, o objetivo desse trabalho foi avaliar como o eugenol pode melhorar as alterações estruturais no parênquima pulmonar em modelo de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) induzida pela fumaça do cigarro em camundongos. (CEUA: 32/2024). Camundongos machos (C57BL/6J) foram divididos em grupos Controle e Inalação de Fumaça do Cigarro (IFC). O grupo IFC foi exposto a FC por 60 dias (3 x/ dia). Após estabelecer o modelo, os animais foram tratados por 60 dias adicionais com Salina (Controle e IFC), Eugenol (1, 3 ou 10 ug/mL, via inalatória) ou Dexametasona (0,4 mg/mL, i.p.). Após 60 dias, os animais foram eutanasiados e foram coletados os pulmões para processamento histológico e análises macroscópicas e morfométricas. Os dados foram expressos em média, com o erro padrão da média  e considerados estatisticamente significativos quando p<0,05.  A análise macroscópica evidenciou aumento do volume pulmonar e maior incidência de áreas hemorrágicas e de pigmentação no grupo IFC, em relação ao controle. O tratamento com eugenol reduziu essas alterações. O grupo IFC apresentou  aumento significativo do Diâmetro do Espaço Aéreo (DEA) e do Intercepto Linear Médio (Lm), e redução da Área de Parede Alveolar (APA). O tratamento com Eugenol (1, 3 e 10 ug/mL) foi capaz de atenuar essas alterações, reduzindo DEA e Lm e aumentando a APA. Este efeito protetor não demonstrou ser dependente da concentração. Não houve diferença significativa na Espessura Média de Parede (EMP) entre os grupos. O Eugenol demonstrou potencial como agente protetor contra o remodelamento alveolar induzido pela fumaça do cigarro.