Conchas com marcas de predação no material de dragagem do Barco Pesqueiro Canopus depositado na UFERSA
Mayara Magna Martins
UFERSA/Graduação Engenharia de Pesca
Inês Xavier Martins
UFERSA/Departamento de Biociências
Palavras-chave: Molusco marinho, Perfuração, Coleção científica, Bivalves, Gastrópodes.
Resumo
A coleção de molusco da Universidade Federal Rural do Seminário foi iniciada na década de 1970, consta de acervo de diversas espécies nativas e exóticas. Nesse material existe espécimes dragados por expedições científicas, em especial, dos barcos Akaroa e Canopus, e NOc Almirante Saldanha, na década de 1960 ao largo da Costa de Sergipe. Nesse material dragado do fundo oceânico foram observados indivíduos com marcas de predação. Inúmeros moluscos gastrópodes são malacófogos, dentre eles as famílias Naticidae e Muricidae. Eles alimentam-se das presas fazendo orifícios nas conchas e ingerindo o conteúdo. Essas perfurações são feitas através de uma ação conjunta da rádula e da ABO. Alguns não apresentam seletividade no local de perfuração, em outros a distribuição não aleatória está provavelmente correlacionada com o modo no qual a presa é segura durante procedimento. O local preferencial sobre a gônada, maior ganho energético. As perfurações, tipicamente elaboradas pelos gastrópodes muricídeos e naticídeos, possuem paredes lisas, margens externas recortadas, decrescendo em diâmetro com a profundidade e são geralmente circulares ou elípticas. Este trabalho teve como objetivo analisar marcas de predação por perfuração nas conchas desse acervo na dragagem do Barco Pesqueiro Canopus. Foram analisados 137 lotes pertencentes às classes Bivalvia e Gastropoda. As espécies foram identificadas e as perfurações observadas quanto à frequência e à posição na concha. Ao todo, 139 espécimes apresentaram perfurações, principalmente da família Glycymerididae (74%), seguida de Turridae (22%), Mitridae (3%) e Conidae (1%). Em Turridae, os ataques concentraram-se principalmente na espiral ventral da concha, indicando uma preferência dos predadores por regiões mais frágeis. Essa escolha se justifica pelo fato de que a musculatura columelar, responsável por fixar o animal dentro da concha, é facilmente danificada, o que facilita a retirada da parte mole para consumo. Além disso, foram observados casos incomuns, como conchas apresentando múltiplas perfurações. Na análise dos locais de predação em Glycymerididae foi evidenciado que 75% dos orifícios estavam na região mediana, 14% na margem dorsal e 4% na ventral. Além dessas marcas padrões ainda foi observada predação entre as duas valvas (7%). Alguns autores sugerem que uma das razões possíveis para ocorrer maior incidência de orifícios nestes locais (mediano ou dorsal), seja o condicionamento do predador em perfurar esta região pelo retorno energético proporcionado pela glândula digestiva. No que se refere à região do corpo, a parte posterior ou anterior do animal não apresentou diferenças significativas para as espécies. Orifício na região ventral ocorreu em menor frequência, mesmo tendo a região ventral mais fina. Os resultados ressaltam a importância das coleções científicas históricas como fontes valiosas de informação para compreender de forma mais aprofundada as interações predador-presa em moluscos marinhos.