Apropriação da Linguagem Escrita nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental: sentidos elaborados pelas crianças

Talita Daiane Silva de Lima

Universidade Federal Rural do Semi Árido

Elaine Luciana Sobral Dantas

UFERSA

https://orcid.org/0000-0003-0331-8180

Ana Clarissa Gomes de França

UFRN

https://orcid.org/0009-0009-8845-7534

Palavras-chave: Alfabetização, Crianças, Ensino Fundamental, Sentidos


Resumo

A Alfabetização ainda é muita discutida nos ambientes escolares, uma vez que, continua sendo alvo de preocupação entre muitos educadores. Desse modo, se faz necessário compreender que o processo da Alfabetização vai além das ações de decodificar e codificar, pois envolve duas dimensões indissociáveis - a apropriação do sistema de escrita alfabético e o desenvolvimento de capacidades necessárias para ler (compreender) e escrever (produzir) textos escritos, ou seja, se configura como um processo discursivo (Lopes, 2012; Soares, 2009; Smolka, 2012). Nas últimas décadas temos acompanhado a efetivação de diferentes políticas de alfabetização e programas de formação de professores/as alfabetizadores/as, como o PROFA (2001), Pró-Letramento (2008), o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - PNAIC (2013 - 2018), e atualmente, iniciado em 2023, o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada - CNCA, que no Rio Grande do Norte, se institui no âmbito da Pró-Alfa. Neste contexto, indagamos: como se materializam as práticas voltadas às crianças em processo de alfabetização? Quais atividades são oportunizadas às crianças? O que elas pensam sobre seus processos de alfabetização? Com o objetivo de investigar sentidos elaborados por crianças sobre seus processos de apropriação da linguagem escrita, o estudo se ancora nos princípios da abordagem qualitativa de pesquisa com ênfase na perspectiva sócio-histórica (Vigotski, 2007; Bakhtin, 2003; Freitas, 2002). Como procedimentos metodológicos, após consentimento e autorização tanto dos pais, como das crianças, realizamos nove sessões de observação participante durante o turno vespertino, em uma turma de 1° ano do Ensino Fundamental de uma Escola Pública e duas entrevistas coletivas com as crianças. Durante os turnos de aula que acompanhamos, observamos apenas três situações de leitura de história feita pela professora e a ausência de momentos em que as crianças pudessem manusear, escolher e ler livros. Uma atividade permanente desenvolvida e observada todos os dias, é a escolha da “palavra do dia” e a leitura e escrita de palavras relacionadas, com menção às letras iniciais para agrupamento das palavras a serem aprendidas. Nos discursos das crianças, identificamos uma compreensão delas, que para aprender a ler e a escrever é necessário haver o interesse, além disso, apresentaram indícios que as práticas estão exclusivamente voltadas para silabação e memorização de palavras. Ou seja, exercícios de “ler e escrever palavras” que envolvem treino, separação e junção de pedaços - letras e sílabas. Há poucas referências ao trabalho com leitura e escrita de textos literários e outros. Em um segundo momento da entrevista, problematizamos suas experiências com as histórias e elas mencionam alguns títulos conhecidos, por vezes, com um maior acesso junto à família em detrimento da escola. Identificamos, pois, contextos de alfabetização vinculados às metodologias tradicionais que restringem esse processo a um aprendizado técnico, e que se distanciam das perspectivas que compreendem a alfabetização como um percurso intrinsecamente ligado às significações das crianças em contextos sociais nos quais estão inseridas.