Desmanthus pernambucanus (L.) Thellung (Leguminosae) depende de polinizadores para formar frutos? 

Ana Beatriz de Oliveira

UFERSA

Airton Torres Carvalho

Palavras-chave: Fabaceae, Polinização, Biologia Floral, Caatinga


Resumo

Desmanthus pernambucanus (L.) Thellung, conhecida popularmente como jureminha, é uma espécie nativa da Caatinga pertencente à família Fabaceae. Possui grande importância ecológica e agrícola, destacando-se pela capacidade de fixar nitrogênio e pelo alto teor proteico de suas folhas, o que a torna uma boa opção como forragem para o gado e adubação verde. Além disso, apresenta nectários florais e extraflorais que atraem diferentes insetos, como formigas e abelhas, possibilitando interações mutualísticas importantes, relacionadas à defesa contra herbívoros e à polinização. O presente trabalho teve como objetivo descrever aspectos da biologia e ecologia reprodutiva de D. pernambucanus, incluindo a morfologia floral, o horário de abertura das flores, a diversidade de visitantes e a taxa de frutificação. O estudo foi realizado entre setembro de 2024 e agosto de 2025 no Espaço ASA do Campus UFERSA. Foram acompanhadas 30 plantas em floração, realizadas observações diretas da antese floral e coletadas inflorescências para análises de estruturas florais, número de flores férteis e inférteis, número de anteras e contagem de grãos de pólen. A taxa de frutificação foi obtida pela razão entre o número de frutos e o número total de flores. As inflorescências observadas apresentaram de 7 a 13 flores, sendo a antese predominantemente noturna, iniciando por volta das 23h45 e finalizando ao amanhecer. As flores centrais mostraram-se hermafroditas e mais férteis, enquanto as flores basais variaram entre estéreis, masculinas e hermafroditas. A produção média de pólen foi maior nas flores centrais (2488,89 grãos) em comparação às basais (1555,56 grãos). A taxa média de frutificação foi de 74,36%, indicando alto sucesso reprodutivo. Durante as observações diurnas, foram registrados principalmente visitantes nos nectários extraflorais, com destaque para formigas e uma ninfa de esperança interagindo diretamente com as flores. Os resultados contribuem para o conhecimento da biologia floral e reprodutiva de D. pernambucanus, uma planta de relevância ecológica e forrageira adaptada ao clima semiárido, auxiliando na compreensão de suas interações com visitantes florais e reforçando a importância de estudos que ampliem as informações sobre a espécie.