Fitoterapia no tratamento de doenças respiratórias na infância: uma revisão integrativa

Clara Myrla Wanderly Santos Abreu Cavalcante

UFERSA

Livya Bianca Lima de Mesquita

UFERSA

Micassio Fernandes de Andrade

UFERSA

Teresinha Silva de Brito

UFERSA

Palavras-chave: Fitoterápicos, Doenças respiratórias, Saúde da criança


Resumo

Introdução: A fitoterapia é uma prática de saúde culturalmente enraizada no Brasil, utilizada por cerca de 82% da população. Ela é frequentemente empregada na Atenção Primária à Saúde (APS) para tratar Infecções das Vias Aéreas Superiores (IVAS), que são a principal causa de hospitalizações pediátricas no país. O tratamento das doenças respiratórias na infância, dentre elas as IVAS, envolve o uso de sintomáticos convencionais, nem sempre eficazes, além do uso de antibióticos. Objetivo: Avaliar a eficácia e a segurança do uso de plantas medicinais e fitoterápicos para o tratamento de doenças respiratórias na infância, visando reunir evidências científicas para subsidiar o uso seguro e racional da fitoterapia na população pediátrica. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura de delineamento sistemático e sem recorte temporal. A busca foi realizada nas bases de dados MEDLINE/PUBMED, EMBASE e LILACS, utilizando como estratégia de busca os termos “plantas medicinais” AND “doenças respiratórias” AND “saúde da criança”, com seus respectivos termos MeSH (Medical Subject Headings) e DeCS (Descritores em Ciências da Saúde). Resultados: 16 ensaios clínicos foram incluídos na revisão, sendo majoritariamente ensaios clínicos randomizados, controlados e duplo-cegos. Os estudos  investigaram o tratamento de doenças como IVAS, rinossinusite aguda, amigdalofaringite, bronquite e asma leve, em uma amostra de 2.604 crianças de 0 a 12 anos. Foram avaliados 10 produtos fitoterápicos, sendo Sinupret® (medicamento que apresenta uma combinação de cinco espécies medicinais) e Pelargonium sidoides (EPs® 7630) os mais estudados. Os fitoterápicos Pelargonium sidoides, Sinupret® e Zataria multiflora apresentaram benefícios na redução dos sintomas respiratórios e na diminuição do uso de antibióticos. Estudos com placebo confirmaram a superioridade de certas espécies medicinais, como Viola odorata na redução da tosse e Hedera helix na fluidificação do muco e melhora da função pulmonar. No entanto, alguns tratamentos à base de Echinacea purpurea e óleo de gergelim, não apresentaram eficácia significativa. Em relação à segurança, a maioria dos fitoterápicos foi bem tolerada, com baixa incidência de eventos adversos leves e sem relato de eventos graves. No entanto, a Echinacea purpurea foi associada a um risco aumentado de erupção cutânea. Conclusão: A maioria dos fitoterápicos avaliados apresentaram eficácia no manejo das doenças respiratórias na infância, podendo contribuir para a redução do uso indiscriminado de antibióticos e para fortalecer a atuação da APS. Contudo, destaca-se a necessidade de adequada formação acadêmica na área da fitoterapia para promoção do uso seguro e embasado de plantas medicinais e fitoterápicos na infância.