Uso de própolis verde no controle de Vairimorpha (nosema) ceranae em abelhas africanizadas Apis mellifera L.
Francisco Ewerton Figueredo de Lima
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Victor Hugo Camargo de Oliveira
Leandro Alves da Silva
Tasyely Daylhany Freire de Lima
Katia Peres Gramacho
Palavras-chave: longevidade, própolis verde, Apis mellifera, Vairimorpha ceranae, nosemose
Resumo
A nosemose, causada pelo microsporídeo Vairimorpha (Nosema) ceranae, constitui uma enfermidade de grande relevância para a apicultura, uma vez que provoca estresse fisiológico e redução na longevidade das abelhas Apis mellifera. Diante da escassez de alternativas eficazes e seguras para o controle da nosemose, este estudo avaliou o potencial do extrato aquoso de própolis verde (rica em chalconas e com reconhecida ação antimicrobiana), de uma marcar comercialmente conhecida, no controle da nosemose e seus efeitos sobre a longevidade de abelhas operárias em condições laboratoriais. O experimento foi conduzido no Laboratório de Apicultura da UFERSA, utilizando abelhas recém-emergidas distribuídas em cinco tratamentos: controle negativo (T1: sem própolis e sem inóculo), controle positivo (T5: sem própolis e com inóculo), e três grupos suplementados com extrato de própolis verde nas concentrações de 3% (T2), 5% (T3) e 10% (T4), todos infectados com esporos de V. ceranae via xarope. A longevidade, o comportamento de rastejamento e a carga parasitária foram avaliados diariamente até a última morta das operárias (20 dias). Observou-se redução significativa na longevidade das abelhas infectadas (p = 0,010), com maior mortalidade entre o 8º e o 12º dia. A suplementação com própolis verde, em nenhuma das concentrações testadas, foi eficaz para conter a infecção ou aumentar a sobrevivência. Além disso, a infecção elevou a frequência de sintomas clínicos, como rastejamento (p < 0,001), e não houve diferença significativa na carga de esporos entre os grupos (p = 0,954). Conclui-se que, embora a própolis verde possua propriedades imunomoduladoras e antimicrobianas, sua administração na dieta, sob as condições deste estudo, não apresentou efeito terapêutico contra a nosemose, sendo recomendada a continuidade de pesquisas com outras formulações, vias de administração e tipos de própolis.