Padronização de técnicas de cultivo, estoque, controle e organização de bactérias de interesse clínico na perspectiva de criação de uma bacterioteca

Beatriz da Silva Carneiro

UFERSA

https://orcid.org/0000-0003-3518-9387

Gabriela Vieira Bernardo

UFERSA

https://orcid.org/0009-0005-9776-9717

Laura Rachel Frota Nogueira

UFERSA

https://orcid.org/0009-0004-3316-4738

Arthur Mousinho de Andrade Veríssimo

UFERSA

https://orcid.org/0000-0003-4619-3365

Caio Augusto Martins Aires

UFERSA

https://orcid.org/0000-0001-6577-374X

Palavras-chave: Coleção Microbiológica, Procedimento Operacional Padrão, Saúde Única


Resumo

Acervos de microrganismos vivos são instrumentos fundamentais para a ciência, servindo como repositórios de agentes biológicos indispensáveis para pesquisas em diversas áreas. No contexto acadêmico brasileiro, a criação e manutenção de bacteriotecas é de suma importância, considerando a diversidade microbiológica nacional e as necessidades regionais de pesquisa. Este trabalho visa descrever o processo de estruturação da bacterioteca do Laboratório de Microbiologia Clínica (LABMIC) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), com implementação e padronização de protocolos de recebimento, identificação e estocagem das amostras. A coleção é composta por isolados bacterianos provenientes de fontes diversas que apresentam diferentes perfis de suscetibilidade a antimicrobianos. O material que chega ao laboratório é separado de acordo com sua origem e recebe um código de identificação e segue para o protocolo de estocagem, que é dividido em três etapas: crescimento, teste de pureza e estoque. Inicialmente, o isolado é inoculado em caldo BHI e incubado a 37 ºC ± 1 ºC por 24 a 48 horas. Em seguida, é realizado o teste de pureza, primeiramente semeando por esgotamento o material em placas contendo meio sólido seletivo e diferencial e incubando a 37ºC ± 1 ºC por 24h e, imediatamente após esse período, repica-se uma colônia do meio diferencial em Ágar Nutriente, incubando nas mesmas condições anteriores. Por fim, as colônias são distribuídas em quatro microtubos contendo 1 mL de caldo BHI com 15-20% de glicerol em cada, marcados com seus respectivos códigos e armazenados em duas caixas previamente identificadas, que serão posteriormente destinadas ao freezer de -20ºC e ao ultrafreezer de -80ºC. Ao término da estocagem, os códigos dos exemplares e seus respectivos dados são registrados em uma página do Google Formulário que leva a uma planilha do Google Planilhas. A planilha foi dividida em pastas de trabalho por local de origem, usando a função “QUERY”. Das mais de 350 amostras presentes na coleção, cerca de 250 delas foram registradas usando os novos protocolos. Durante o projeto foram elaborados, além da planilha, três procedimentos operacionais padrão (POPs): “Recebimento de material”, “Teste de Pureza para Amostras” e “Processamento do material”. Até agosto de 2025, foram analisadas e registradas 250 amostras bacterianas, sendo 197 destas provenientes do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), 44 do Laboratório CACIM, 8 são de origem animal e apenas uma é cepa “Controle”. No que se refere às espécies bacterianas, os gêneros mais encontrados foram Pseudomonas sp. (99 isolados), Klebsiella sp. (65 isolados) e Acinetobacter sp. (36 isolados), totalizando 200 isolados. Os resultados obtidos mostram que a implementação de uma bacterioteca padronizada no LABMIC-UFERSA foi bem-sucedida, seguindo protocolos internacionais de qualidade. A elaboração de POPs para recebimento, processamento e controle de pureza do material garantiu a reprodutibilidade e confiabilidade dos processos, minimizando erros e inconsistências, otimizando tempo em futuras pesquisas científicas.


Biografia do Autor

Beatriz da Silva Carneiro, UFERSA

Graduação completa em Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e graduação em andamento em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Atualmente, é bolsista de Iniciação Científica no Laboratório de Ecologia Evolutiva e Molecular (Ecomol-UFERSA). Já foi bolsista de iniciação científica no Laboratório de Microbiologia Clínica (LABMIC-UFERSA) e extensionista em Prática Hospitalar no Hospital Veterinário Jerônimo Dix-Huit Rosado Maia (HOVET), no setor de Clínica Médica e Cirúrgica do setor de Animais Silvestres.

Gabriela Vieira Bernardo, UFERSA

Graduanda em Biotecnologia na Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA). Tem experiência nas áreas de Microbiologia Clínica e Microbiologia Molecular. É membro do Laboratório de Microbiologia Clínica da UFERS (LABMIC-UFERSA) e da Empresa Júnior da Biotecnologia (EMBASA).

Laura Rachel Frota Nogueira, UFERSA

Cursando Biotecnologia pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido, com interesse nas áreas de microbiologia e imunologia. Durante o ensino médio, foi programadora da equipe de robótica CARCARÁ, conquistando o 1 lugar na categoria Projeto Inovador no campeonato FIRST LEGO League. Participou da Feira de Ciências do Semi-árido Potiguar, alcançando o 3 lugar na categoria Ciências da Saúde em 2021. 

Arthur Mousinho de Andrade Veríssimo, UFERSA

Possui graduação em Biotecnologia pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (2024), onde desenvolve atividades de iniciação científica nas áreas de parasitologia e microbiologia clínica. Possui Curso Técnico em Controle Ambiental pelo Instituto Federal da Paraíba - Campus João Pessoa, onde desenvolveu atividades como pesquisador voluntário e atuou como Monitor Bolsista da disciplina de Biologia. Possui experiência em análises físico-químicas e bacteriológicas de água através da atuação como Técnico em Controle Ambiental na Fundação de Apoio ao IFPB (FUNETEC-PB). Possui conhecimento técnico sobre microbiologia e biologia molecular, realizando atividades como isolamento de bactérias, armazenamento de bactérias, testes bioquímicos, extração de DNA, PCR e eletroforese.

Caio Augusto Martins Aires, UFERSA

Graduação em Biomedicina; Especialização em Microbiologia Clínica; Especialização em Controle de Infecção em Assistência à Saúde; Mestrado em Biologia Celular e Molecular Aplicada (UPE) e Doutorado em Medicina Tropical (FIOCRUZ). Atualmente, é Professor Adjunto do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Está atuando como Diretor Técnico Científico da Fundação Guimarães Duque. Atua também como docente permanente do Programa de Pós-Graduação Multicêntrico em Bioquímica e Biologia Molecular (Sociedade Brasileira Bioquímica e Biologia Molecular - SBBq). É líder-coordenador do Grupo de pesquisa Microbiologia e Parasitologia Aplicada à Saúde Única e responsável técnico pelo Laboratório de Microbiologia Clínica (LABMIC-UFERSA). Desenvolve atividades de pesquisa na área de Microbiologia com ênfase em genética bacteriana, epidemiologia molecular, prevenção e controle de infecção hospitalar, biossegurança e resistência bacteriana aos antimicrobianos, atuando principalmente nos seguintes temas: Tipagem molecular bacteriana; Vigilância de determinantes de virulência e resistência antimicrobiana em bactérias no contexto da saúde única; caracterização molecular de elementos genéticos associados à resistência e análise genômica de bactérias.