Malacofauna associados à macroalgas (táxon Rhodophyta) na região entremarés da praia de Ponta do Mel, Areia Branca-RN

Jean Berg Alves da Silva Filho

UFERSA / graduação em Engenharia de Pesca

Hayron Kawan Fernandes Linhares

Inês Xavier Martins

Palavras-chave: algas marinhas, Riqueza de moluscos, Electroma vexillum, Dominância ecológica


Resumo

A região costeira abriga comunidade de algas e inúmeros animais marinhos que se fixam às rochas, passando ali parte importante de suas vidas. Dentre os animais, os invertebrados  comumente associados às macroalgas são os moluscos, crustáceos, poliquetas, nematóides, equinodermas, sendo os dois primeiros os mais encontrados. A diversidade de organismos marinhos, em especial grupos de micro-moluscos, utilizam as macroalgas como abrigo, recurso alimentar e local para desova. Algumas espécies são consideradas residentes, vivendo parte ou todo o seu ciclo de vida no fital, enquanto outras são visitantes, usufruindo do habitat, mas não dependendo unicamente dele. Este estudo analisou a comunidade de moluscos associada à uma macroalga do táxon Rhodophyta presente na praia de Ponta do Mel (RN). Foram realizados dois períodos amostrais, primeira etapa em novembro e dezembro/2024 e segunda em março e abril/2025, durante a maré de sizígia, sendo determinadas três horas de esforço amostral nos arrecifes onde existia a presença de macroalgas. Os tufos de uma espécie de alga foram coletados manualmente, em seguida serão colocados em sacos plásticos, etiquetados e levados ao laboratório para posterior analise. O material foi descongelado e as algas lavadas em bandejas plásticas. O material retido na bandeja foi triado com auxílio microscópio estereoscópio. Os moluscos foram identificados com auxílio de bibliografia especializada. Foi feita analisada a frequência das espécies em relação ao período amostral (Muito frequentes >70%, Frequentes 70%-40%, Pouco frequentes 40%-10% e Esporádicas <10%) e a abundância ao longo dos meses. Nas primeiras amostragens foram registrados um total de 498 indivíduos sendo eles: Electroma vexillum (Reeve, 1857) 483 indivíduos (97%), Eulithidium affine (C. B. Adams, 1850) 4 indivíduos (0,8%), Anachis sp. 4 indivíduos (0,8%), Mitrella dichroa (G. B. Sowerby I, 1844) 6 indivíduos (1,2%) e Opisthobranchia 1 indivíduo (0,2%). Nas amostragens de 2025 observou-se um grande aumento no número total de indivíduos, com um total de 17.605 moluscos, sendo eles: E. vexillum 17.595 indivíduos (99,9%), Columbella mercatoria (Linnaeus, 1758) 5 indivíduos (0,03%), Musculus lateralis (Say, 1822) 2 indivíduos (0,01%), E. Affine, M. dichroa e Naticidae 1 indivíduo cada (0,006%). Os resultados mostraram baixa riqueza de espécies, mas forte dominância de Electroma vexillum associadas às macroalgas calcárias do táxon Rhodophyta na praia de Ponta do Mel, Areia Branca – RN. Houve aumento expressivo no número total de moluscos ao longo do tempo, possivelmente relacionado a fatores sazonais, especialmente ao aumento da biomassa das macroalgas no período chuvoso, que amplia abrigo e disponibilidade alimentar. Outras espécies foram pouca freqüência ou esporática, sugerindo comportamento oportunista ou uso ocasional do habitat. Apesar do aumento significativo no número total de indivíduos entre as coletas, a riqueza de espécies permaneceu baixa, demonstrando que as variações de quantidade observadas estão mais associadas ao aumento da abundância da espécie dominante do que à entrada de novas espécies. Esse padrão sugere que a estrutura da comunidade é fortemente influenciada por fatores ambientais sazonais, como o aumento da biomassa das algas durante o período chuvoso, que pode oferecer mais microhábitats e recursos alimentares.