Assimetrai flutuante em abelhas operarias africanizadas Apis mellifera L. em região semiárida

Francisco de Assis Junior Assis Junior

UFERSA

Leandro Alves da Silva

Lorena Andrade Nunes

Tamiles Araujo Lima

Katia Peres Gramacho

Palavras-chave: Apis mellifera, Morfometria Geométrica, Plasticidade Fenotípica


Resumo

As abelhas (Apis mellifera Linnaeus, 1758) desempenham papel fundamental na polinização de diversas culturas agrícolas e espécies nativas, sendo consideradas organismos-chave para a manutenção da biodiversidade e da segurança alimentar. No semiárido brasileiro, observa- se elevada variabilidade climática, caracterizada por longos períodos de estiagem intercalados por chuvas concentradas em curtos intervalos. Este trabalho teve como objetivo avaliar a assimetria flutuante (AF) em operarias de abelhas africanizadas em região semiárida, buscando compreender como fatores ambientais influenciam o tamanho e a forma das asas ao longo das estações seca e chuvosa. O estudo foi conduzido no Setor de Apicultura, localizado na Fazenda Experimental Rafael Fernandes, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Alagoinha, zona rural de Mossoró/RN. Foram utilizadas 10 colônias, exceto no mês de dezembro, quando foram avaliadas 7. Em cada colônia, realizaram-se três coletas, com 10 abelhas campeiras por colônia, nos meses de março, julho e dezembro de 2024. As asas anteriores direitas e esquerdas das operárias foram fotografadas com uma câmera acoplada a um estereomicroscópio. Utilizou-se o software tpsUtil para a criação dos arquivos TPS, e o tpsDig para a marcação de 19 landmarks nas asas. A AF em tamanho do centróide e forma foi verificada por meio da Procrustes ANOVA, e o efeito do ambiente na AF foi avaliado por Partial Least Squares (PLS) de dois blocos. A temperatura e umidade internas às colmeias foram registradas com dataloggers, enquanto as condições ambientais foram obtidas a partir da estação climática automática da Fazenda Experimental. Foi observada AF entre indivíduos dentro de cada período e em todos os períodos (p < 0,0001), tanto para o tamanho do centróide (coleta 1: F = 3,34; coleta 2: F = 2,43; coleta 3: F = 1,43) quanto para a forma (coleta 1: F = 3,89; coleta 2: F = 3,56; coleta 3: F = 3,48). Entretanto, não houve diferença significativa (F = 2,78; p = 0,6307) entre os períodos, indicando níveis semelhantes de estresse entre as estações (p > 0,05). A umidade relativa foi o fator ambiental mais associado à AF das abelhas coletadas em março, explicando 94,9% da variação. Conclui-se que as abelhas africanizadas sofreram estresse ambiental, apresentando níveis semelhantes de assimetria flutuante nas asas, independentemente da estação, e que a umidade relativa do ar foi o principal fator relacionado à variação morfológica observada.