Morfologia de frutos e sementes aplicada à taxonomia de Turneraceae (Passifloraceae s.l., Malpighiales)

Jadson Silva Lopes

James Lucas da Costa-Lima

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

https://orcid.org/0000-0002-2967-5322

Palavras-chave: Malpighiales, Morfologia Vegetal, Técnicas de Microscopia


Resumo

Turneraceae, quando reconhecida como família suficientemente distinta de Passiflora, compreende cerca de 14 gêneros e aproximadamente 230 espécies. Nas Américas são reconhecidos os gêneros Adenoa, Erblichia, Oxossia, Piriqueta e Turnera, sendo apenas os três últimos registrados no Brasil. Turnera, o gênero mais rico em espécies da família, possui características morfológicas particularmente marcantes como flores sésseis, folhas com nectários extraflorais basais marginais, sementes glabras com arilo esbranquiçado. Dentre as espécies mais conhecidas, está Turnera subulata, amplamente utilizada na medicina tradicional e reconhecida por suas propriedades farmacológicas. Reconhecendo a importância medicinal dessas plantas e sabendo de problemas históricos na delimiração de suas espécies, o presente estudo teve como objetivo realizar a delimitação morfológica de espécies pertencentes à Turnera série Turnera com ocorrência no estado do Rio Grande do Norte. Para isso, as duas espécies desta série previamente registradas no estado, Turnera subulata e T. scabra, tiveram espécimes avaliadas do ponto de vista morfológico. O estudo foi baseado em espécimes previamente depositados em herbário, bem como a partir de material vivo obtido em expedições de campo realizadas no primeiro semestre de 2025. As coletas seguiram protocolo padronizado, com herborização do material e preservação das estruturas vegetativas e reprodutivas em solução FAA70%. Os espécimes tiveram suas estruturas vegetativas e reprodutivas analisadas tanto por meio de microscopia de luz (ML) quanto eletrônica de varredura (MEV). As descrições foram conduzidas com base em terminologia morfológica presente na literatura geral e específica para Turneraceae. Foram reconhecidas duas morfoespécies distintas: Turnera subulata, que inclui espécimes que apresentam hábito do tipo erva ereta, flores com corola brancas com disco central purpúreo, pétalas 33–52 × 22–25 mm e estilete com 3–10 mm de comprimento. Por sua vez, a outra morfoespécie, nomeada Turnera sp., tratada neste estudo como distinta, possui hábito do tipo erva prostada, flores com corola amarelo-vivo com disco central purpúreo, pétalas 18–20 × 3–10 mm e estilete com 3–4 mm de comprimento. A morfoespécie T. sp. tem sido, de forma recorrente, identificada localmente como T. scabra, uma espécie com distribuição natural no Caribe, América Central e norte da América do Sul. Dentre as características que distinguem, ambas, destacam-se o hábito prostrado em T. sp. (vs. erva ereta em T. scabra), a cor da corola, com a base das pétalas purpúrea formando um disco (vs. inteiramente amarela) e a morfologia da semente (côncavas vs. retas). A análise micromorfológica por MEV também reforçou a distinção entre as morfoespécies encontradas no Rio Grande do Norte, evidenciando tricomas mais espaçados e menos densos nos frutos de T. sp. e semente com exostoma mais alongado; já em T. subulata, o exostoma curto e a corola é inteiramente amarelo-clara e/ou branca. Conclui-se que foi possível a delimitação de espécies de Turnera ser. Turnera ocorrentes no Rio Grande do Norte, além de corrigir equívocos históricos na identificação de uma delas. Os resultados aqui apresentados ressaltam a importância da análise morfológica detalhada, complementada por ferramentas micromorfológicas, na identificação e reconhecimento de espécies morfologicamente próximas.