Taxonomia, distribuição e usos das palmeiras (Arecaceae) nativas e naturalizadas do Rio Grande do Norte

Paulo Arthur Souza Araújo

James Lucas da Costa-Lima

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

https://orcid.org/0000-0002-2967-5322

Palavras-chave: Caatinga, Mata Atlântica, monocotiledôneas, Taxonomia Vegetal


Resumo

As palmeiras (família Arecaceae) constituemm uma linhagem monofilética e são plantas emblemáticfas na representação de áreas de torpicais. As plantas da família Arecaceae possuiem distribuição ampla no Brasil possuem notável importância ecológica e socioeconômica, especialmente do ponto de vista alimentício e cultural. No entanto, vale ressaltar que, o conhecimento taxonômico sobre as espécies de palmeiras que ocorrem no Rio Grande do Norte ainda possui suas limitações do ponto de vista taxonômico e de distribuição geográfica, tornando necessário o levantamento e a atualização de seus registros. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo inventariar as espécies ocorrentes no Rio Grande do Norte por meio da análise de amostras depositadas em herbários (MOSS, RN e UFRN), complementadas por dados dos repositórios virtuais Herbário Virtual REFLORA e Rede SpeciesLink, bem como como por expedições de campo, as quais foram realizadas entre março e agosto de 2025. As coletas seguiram metodologias usuais em taxonomia vegetal e os espécimes foram incorporados ao Herbário Odaci Fernandes de Oliveira (MOSS). No momento, foram registradas oito espécies de palmeiras no estado, a saber: Acrocomia intumescens, Bactris ferruginea, Cocos nucifera, Copernicia prunifera, Desmoncus polyacanthos, Elaeis guineensis, Syagrus cearensis e S. aff. schizophylla. Dentre elas, Desmoncus polyacanthos, Bactris ferruginea e S. aff. schizophylla possuem distrinbuição geográfica restrita localmente às áreas de restinga e florestas estacionais da Mata Atlântica, enquanto Acrocomia intumescens tem sua ocorrência exclusiva em áreas de florestas secas elevadas da Caatinga. As espécies Cop. prunifera e S. cearensis apresentam uma ampla distribuição, sendo registradas predominantemente na Caatinga, mas também em planícies, restingas e florestas estacionais associadas à Mata Atlântica. Já Coc. nucifera e E. guineensis são naturalizadas e ocorrem de maneira espontânea no litoral leste do estado. Duas espécies, A. intumescens e B. ferruginea, configuram novos registros de ocorrência para o estado Rio Grande do Norte. A partir de registros literários históricos e das informações contidas nos rótulos dos espécies de herbário, o uso predominante destas plantas é como fonte de alimentos (consumo do endosperma ou mesocarpos) na maioria das espécies, embora outras espécies são majoritariamente conhecidas pelo seu uso na extração de ceras ou óleos (Coc. nucifera, Cop. prunifera e E. guineensis) ou na produção de utensílios (Cop. prunifera e S. cearensis). Esses resultados incrementam o conhecimento florístico regional e atesta que a riqueza de palmeiras no estado, embora naturalmente baixa, é ainda subestimada. Nesse contexto, estudos contínuos para o aperfeiçoamento dos conhecimentos taxonômicos e geográficos, bem como para o desenvolvimento de estratégias de conservação da flora potiguar, fazem-se necessários.