BIBLIOTECAS ESCOLARES
estrutura dos espaços físicos, a guarda do acervo literário e as atividades com a literatura negra infantil
Robson Raimundo da Silva Brito
UFERSA
Ana Maria pereira Aires Maria pereira Aires
Ufersa - Campus Angicos
Palavras-chave: Biblioteca escolar; Literatura negra infantil; Educação étnico-racial.
Resumo
A presente pesquisa está no campo das relações étnico-raciais e tem por objetivo compreender a estrutura física das bibliotecas escolares públicas, a guarda do acervo literário e as atividades desenvolvidas nas bibliotecas relacionadas à literatura negra infantil, seja na Educação Infantil ou nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, de escolas localizadas na região central do Rio Grande do Norte. A pesquisa justifica-se pela necessidade de produzir conhecimento sobre as bibliotecas e as questões raciais negras, ampliando o debate da educação para as relações étnico-raciais e o papel das bibliotecas na formação das crianças negras. Também contribui para a formação docente, fortalecendo o compromisso com a diversidade e a importância da literatura negra no currículo escolar. A metodologia foi de natureza qualitativa (Minayo, 1998), com aplicação de questionários, sendo os dados interpretados com base na Análise de Conteúdo (Bardin, 1977). As etapas metodológicas compreenderam estudos teóricos, visitas às bibliotecas escolares, aplicação de questionários, análise dos dados e devolutiva às instituições pesquisadas. Os referenciais teóricos envolveram os conceitos de biblioteca escolar (Campelo, 2002), interculturalidade e decolonização (Gomes, 2006; Mignolo, 2007; Walsh, 2009) e educação étnico-racial (Brasil/Lei nº 10.639/2003; Brasil/DCNERER, 2004). Os resultados mostraram que, em sua maioria, as bibliotecas investigadas se encontram em espaços adaptados e improvisados, sem planejamento arquitetônico e com acervos organizados de maneira a não facilitar o acesso das crianças aos poucos livros de literatura infantil negra, cujo acervo é predominantemente branco e eurocêntrico, com baixa representatividade da temática negra. Apenas uma das instituições apresentou um espaço mais adequado e com práticas emergentes de valorização da diversidade. Em relação as atividade desenvolvidas, observamos que as escolas ainda não incorporaram com efetividade a literatura negra infantil em suas práticas cotidianas. O acervo literário racial existente é pequeno e, talvez por isso, não seja utilizado de forma mais sistemática, ficando muitas vezes restrito a momentos pontuais e esporádicos de datas comemorativas, como o Dia da Consciência Negra, a Abolição da Escravidão ou em semanas temáticas propostas pelas secretarias de educação ou projetos escolares. Essa prática reduz a literatura negra infantil negra a uma função meramente ilustrativa, não parte integrante e contínua do processo formativo das crianças. Além disso, ao limitar o uso dessas obras a momentos esporádicos, a escola reforça a ideia de que a valorização da cultura negra e a diversidade populacional do país, não compõem o currículo escolar. Conclui-se que as bibliotecas escolares ainda não cumprem plenamente sua função de promover o acesso democrático à leitura e à diversidade cultural, perpetuando a invisibilidade das produções literárias negras. Torna-se urgente a formulação de políticas públicas que garantam espaços adequados, acervos plurais e práticas pedagógicas contínuas e inclusivas, comprometidas com a equidade racial.