GÊNEROS EM EMERGÊNCIA NOS STORIES DO INSTAGRAM
maria do socorro januario de souza
ufersa
Vicente de Lima Neto
Palavras-chave: Gêneros digitais, Instagram, Multimodalidade, Remix, Emergência de gêneros.
Resumo
O avanço das plataformas digitais têm gerado transformações expressivas nos estudos sobre gêneros, exigindo releituras teóricas diante das novas formas de comunicação produzidas em contextos digitais. As redes sociais, especialmente o Instagram, configuram-se como espaços multissemióticos em que o som, a imagem e o texto verbal se combinam para formar novas maneiras de interação e expressão. Nesse cenário, os stories do Instagram destacam-se por sua natureza efêmera e pela capacidade de articular diferentes linguagens em um mesmo enunciado, possibilitando a criação de sentidos múltiplos e dinâmicos. Este estudo tem como objetivo investigar os gêneros que circulam nos stories do Instagram, com foco em sua natureza multissemiótica e na maneira como esses conteúdos combinam som, imagem e texto verbal para criar novas formas comunicativas e reconfigurar práticas discursivas. A pesquisa baseia-se nos estudos retóricos de gêneros (Miller, 2009) e nas teorias do remix (Navas, 2010) e da multimodalidade (Kress, 2010), que explicam a hibridação de formas discursivas por meio de montagens e colagens de enunciados. Além disso, dialoga com as reflexões de Lima-Neto (2023), que discute a emergência e a reelaboração de gêneros no ambiente digital, ressaltando como os contextos de uso das redes sociais promovem novas dinâmicas de produção textual e discursiva. Metodologicamente, o estudo analisa seis postagens do Instagram publicadas entre maio e junho de 2025, escolhidas por apresentarem traços de remix e estarem disponíveis em perfis abertos ao público. As conclusões preliminares indicam que os usuários se apropriam de forma criativa dos recursos que a própria plataforma disponibiliza, produzindo enunciados híbridos que mesclam imagem, texto verbal e som de modo expressivo. Essa combinação contribui tanto para a emergência de novos gêneros, os quais ainda não nomeamos, quanto para a reconfiguração de gêneros já existentes, evidenciando a constante transformação das práticas comunicativas na era digital.