Regeneração in vitro da palma doce (Nopalea cochenillifera (L.) Salm-Dyck)
Fabíola Santos Silva
Emmanuel De Sousa Jereissati
Palavras-chave: Organogênese, micropropagação, Nopalea cochenillifera, Fitormônios
Resumo
A micropropagação da palma doce, uma planta de reconhecida importância forrageira e medicinal, é uma alternativa eficiente aos métodos tradicionais de propagação, permitindo a produção em larga escala e contribuindo para a conservação da espécie. O presente estudo teve como objetivo desenvolver um protocolo de regeneração in vitro de plantas dessa espécie por organogênese direta. Explantes contendo uma aréola, obtidos de cladódios jovens, foram cultivados em meio Murashige e Skoog (MS) suplementado com 30 g L⁻ ¹ de sacarose, solidificado com 7 g L⁻ ¹ de ágar e acrescido de diferentes combinações de benzilaminopurina (BAP) (1,0; 2,0 e 4,0 mg L⁻ ¹) e ácido indolbutírico (IBA) (0,05; 0,25 e 0,5 mg L⁻ ¹), além de um tratamento controle (T0) sem fitormônios. Os cultivos foram mantidos sob fotoperíodo de 16 horas a 25 ± 2 °C. Cada réplica consistiu de 24 explantes e os experimentos foram repetidos 2 vezes. Os resultados demonstraram que a adição e combinação de fitormônios são necessárias para a indução de brotamento, pois o tratamento T0 não apresentou nenhuma brotação. O tratamento T8 (4,0 mg L⁻ ¹ BAP e 0,25 mg L⁻ ¹ IBA) foi o que apresentou o maior número de brotos com uma média de 0,85 brotos por explante seguido pelo T9 (4,0 mg L⁻ ¹ BAP e 0,50 mg L⁻ ¹ IBA) e T6 (2,0 mg L⁻ ¹ BAP e 0,50 mg L⁻ ¹ IBA) com média de 0,65 e T7 (4,0 mg L⁻ ¹ BAP e 0,05 mg L⁻ ¹ IBA) com 0,55. Apesar do tratamento 8 apresentar a melhor média de brotamento não há diferença estatística quando comparado ao T9 e ao T6 (p > 0,05). Esses resultados indicam que as combinações que envolvem BAP (2,0 ou 4,0 mg L⁻ ¹) e o IBA (0,25 ou 0,50 mg L⁻ ¹) são mais promissoras na indução de brotamento. Quando os tratamentos foram analisados quanto à viabilidade dos brotos produzidos o tratamento 6 demonstrou melhor desempenho e por isso os brotos originados desse tratamento foram utilizados para a fase de alongamento em meio MS suplementado com 30 g L⁻ ¹ de sacarose, solidificado com 7 g L⁻ ¹ de ágar e adicionado de 0,5 mg L⁻ ¹ giberelina (GA3), além do controle sem adição de fitormônios. O tratamento com GA3 não apresentou efeito significativo no alongamento das partes aéreas. Os resultados precisam ser repetidos para confirmação em réplicas adicionais, contudo o estudo alcançou avanços preliminares significativos na micropropagação da Nopalea cochenillifera ao identificar condições hormonais favoráveis para a indução e proliferação de brotos. A metodologia proposta, requer a continuidade do estudo para as fases de enraizamento e aclimatação, etapas fundamentais para validação completa do protocolo e consolidação como ferramenta eficaz na regeneração in vitro da palma doce.