A representação literária da maternidade: uma leitura social do conto Quantos filhos Natalina teve? de Conceição Evaristo

Thalyta Gurgel Fernandes

UFERSA

Karla Raphaella Costa Pereira

Palavras-chave: Quantos filhos Natalina teve?, maternidade, representação literária, sociedade.


Resumo

A maternidade é um tema constante na literatura, mas, nos últimos tempos, devido ao avanço dos movimentos feministas, o tema da maternidade tem sido alvo de discussões que visam superar a romantização da atividade de maternar. A literatura é um lugar privilegiado para pensar nas experiências das mulheres com a maternidade. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi analisar a representação da maternidade no conto Quantos filhos Natalina teve?, de Conceição Evaristo, que consta na coletânea Olhos d’água. A pesquisa buscou abordar a questão da maternidade na sociedade com base na vida de Natalina, uma mulher negra de periferia, cuja experiência permite às leitoras refletirem sobre as múltiplas dimensões da maternidade, desde a maternidade biológica, passando pela possibilidade de adoção, pelo desenvolvimento de sentimentos afetivos pelos filhos etc. A partir do texto literário, debate-se também a pressão social exercida sobre uma mãe solo, revelando aspectos das desigualdades de gênero, raça e classe, enfrentadas por uma mãe em meio a uma sociedade machista. A metodologia se fundamentou em uma análise literária que buscou abordar uma compreensão mais  profunda da maternidade  com foco nas relações sociais da vida da personagem em meio aos acontecimentos enfrentados. A temática é muito relevante, pois aborda uma questão social que atinge metade da população mundial. A discussão favorece a compreensão de que a maternidade deve ser uma escolha da mulher.