Mercado de carbono, povos indígenas e colonialismo climático

uma análise crítica da Lei nº 15.042/2024

Autori

DOI:

https://doi.org/10.21708/issn2526-9488.v9.n18.p175-196.2025

Abstract

O artigo busca analisar de forma crítica as disposições referentes aos povos indígenas na Lei nº 15.042/2024, pautado pelo colonialismo climático, a fim de definir se o mercado de carbono, nos moldes brasileiros, perpetua formas de dominação coloniais. Para tanto, foi utilizada a metodologia indutiva, de cunho qualitativo, bibliográfico e documental, mediante o uso de conceitos trabalhados por Quijano e Dussel quanto à colonialidade, assim como definições de Olúfẹ́mi Táíwò e Gifford para análise da vertente colonialista relacionada às mudanças climáticas. Além disso, foram apresentados os principais acordos internacionais para a construção e estruturação do mercado de carbono, quais sejam, o Protocolo de Quioto, o Acordo de Paris, e as Conferências entre as Partes 27 e 29. Ademais, o posicionamento das comunidades indígenas sobre o mercado de carbono foi extraído tanto de desdobramentos da Escola Decolonial, como também de documentos produzidos por tribos indígenas, com destaque para a Carta de Belém, o Protocolo de Munduruku e a Declaração de Xapuri. Os resultados apontam que o mercado de carbono vai de encontro com a cosmovisão compartilhada por comunidades tradicionais; e que as disposições legais não são eficientes como mecanismo de proteção dos povos indígenas. Conclui-se que a Lei nº 15.042/2024 é um instrumento de continuidade das formas de dominação coloniais, especificamente do colonialismo climático. 

Biografie autore

  • Nicole Thomy Gentil, Universidade Federal de Sergipe (UFS)

    Mestranda em Direito pela Universidade Federal de Sergipe - UFS (Aracaju/SE). Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.

  • Jussara Maria Moreno Jacintho, Universidade Federal de Sergipe

    Doutora em Direito Constitucional, pela PUC/SP ( 2003) ,mestrado em Direito da Cidade pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1996),especialização em Direito Civil pela FGV/RJ, e é graduada em Direito pela Universidade Federal de Sergipe (1988) . Atualmente é professora associada de direito constitucional e de Direito Urbanístico do Departamento de Direito da Universidade Federal de Sergipe. É professora do Mestrado em Direito da UFS, assim como do mestrado profissional em Administração Pública - Rede Profiap. Contato via: j.jacintho50@gmail.com.

  • Jadson Correia de Oliveira, Universidade Federal de Sergipe

    Pós-doutor em Democracia e Direitos Humanos pelo Ius Gentium Conimbrigae - IGC/CDH, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. Mestre em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP. Especialista em Direito Público pela Escola Superior da Magistratura de Pernambuco - ESMAPE. Professor do departamento de Direito da Universidade Federal de Sergipe - UFS (Aracaju/SE), graduação e mestrado pelo Centro Universitário do Rio São Francisco - UniRios.

Pubblicato

2025-12-15

Fascicolo

Sezione

FLUXO CONTÍNUO

Come citare

Mercado de carbono, povos indígenas e colonialismo climático: uma análise crítica da Lei nº 15.042/2024. Revista Jurídica da UFERSA, v. 9, n. 18, p. 175–196, 15 dic.2025.