Eficiência antimicrobiana do extrato pirolenhoso de Eucalyptus urograndis in vitro em bactérias produtoras de biofilme.

Gustavo Lopes Araujo

Caio Sérgio Santos

Nilza Dutra Alves

Isadora Raquell Soares de Queiroz

Francisco Marlon Carneiro Feijó

Palavras-chave: Array


Resumo

O uso de fitoterápicos vem sendo bastante difundido na medicina veterinária no intuito de curar e prevenir patologias de animais, como as infecções bacterianas. Porém, a crescente resistência bacteriana representa um desafio significativo na saúde pública, exigindo alternativas aos antibióticos convencionais. Além disso, o biofilme apresenta-se como um mecanismo que protege as bactérias da ação de antimicrobianos e dificulta o tratamento de infecções. Assim, objetivou-se testar o extrato pirolenhoso (EP) de eucalipto na inibição do biofilme bacteriano. À vista disso, foram realizados testes in vitro utilizando cepas de Klebsiella pneumoniae ATCC P2204, Pseudomonas aeruginosa ATCC 278532, Staphylococcus aureus MRSA 33591 e Escherichia coli ATCC P2673. As bactérias utilizadas, oriundas da bacterioteca do Laboratório de Microbiologia Veterinária da UFERSA, foram previamente ajustadas, com auxílio de espectrofotômetro, a uma concentração de 108 UFC/mL, e cultivadas em microplacas de 96 poços com caldo BHI (Brain Heart Infusion) e EP nas concentrações de 50% a 0,1953125%, determinando-se a Concentração Inibitória Mínima (CIM) e a Concentração Bactericida Mínima (CBM) do extrato. A CIM variou entre 6,25% e 25%, e a CBM entre 12,5% e 25%, dependendo da bactéria testada. Com os resultados de CIM e CBM obtidos, se seguiu para os testes de inibição de biofilme com o EP nas concentrações de 50%, 25%, 12,5% (somente bactericidas) e 0% (controle negativo). Para isso, foi realizada novamente a inoculação das cepas em caldo BHI e EP. O teste foi realizado em triplicata e executado em microplacas de 96 poços, as quais foram incubadas sob agitação a 37°C por 24 horas. Em seguida, foram removidas as bactérias planctônicas por meio de lavagens com solução salina 0,85%. Os biofilmes foram fixados em temperatura ambiente e corados com 200µl de cristal violeta a 2%. Após esse processo, foram realizadas duas lavagens com solução salina e procedeu-se com a solubilização do biofilme, em álcool etílico absoluto, e com a leitura de absorbância de cada poço em leitor de microplaca na medida de 630nm. As médias das absorbâncias foram submetidas a Análise de Variância seguida do teste de Tukey, a nível de 5% de probabilidade, para comparação. Com isso, os resultados mostraram que o EP foi eficaz inibindo a formação de biofilme. O EP, na concentração de 12,5%, inibiu 80,77% do biofilme da K. pneumoniae, 87,14% do biofilme da S. aureus, 91,51% do biofilme da P. aeruginosa e 56,9% do biofilme da E. coli. Na concentração de 25%, o extrato inibiu 85,4% do biofilme da K. pneumoniae, 93,75% do biofilme da S. aureus, 92,64% do biofilme da P. aeruginosa e 61,8% do biofilme da E. coli.  Na concentração de 50%, o extrato inibiu 85,02% do biofilme da K. pneumoniae, 93,39% do biofilme da S. aureus, 90% do bioflime da P. aeruginosa e 56,9% do biofilme da E. coli. Conclui-se que o EP de eucalipto, nas concentrações testadas, promoveu uma inibição acima de 80% para a maioria das cepas e pode ser uma alternativa promissora prevenindo a formação de biofilmes bacterianos, contribuindo para o desenvolvimento de novas terapias antimicrobianas.


Referências