Caracterização morfológica e microbiológica intestinal de catetos (Pecari tajacu LINNAEUS, 1758) criados em cativeiro no semiárido

Isadora Raquell Soares de Queiroz

Euziele Oliveira de Santana

Alana Ingrid de Araujo Pereira

Moacir Franco de Oliveira

Radan Elvis Matias de Oliveira

Palavras-chave: Array, Array, Array, Array


Resumo

O cateto (Pecari tajacu) é uma espécie amplamente distribuída desde florestas tropicais até áreas semiáridas, possuindo grande capacidade adaptativa. A espécie tem importância ecológica, atuando como dispersora de sementes, e valor socioeconômico, sendo fonte de carne e couro, o que a torna alvo de caça. Assim, a criação em cativeiro é vista como alternativa sustentável, promovendo conservação e geração de renda, regulamentada pelo IBAMA. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo caracterizar a morfologia e a microbiota intestinal de catetos criados em cativeiro no semiárido. Foram utilizados cinco machos jovens, com aproximadamente cinco meses de idade. Após eutanásia humanitária, fragmentos do intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo) e grosso (ceco e cólon) foram coletados para análises de microscopia de luz, e swabs de cada segmento foram submetidos a isolamento e caracterização bacteriana. A análise histológica revelou que o intestino do cateto apresenta as quatro túnicas típicas dos mamíferos: mucosa, submucosa, muscular e serosa. O epitélio intestinal é do tipo prismático simples, com enterócitos e células caliciformes. No intestino delgado, observaram-se vilosidades bem desenvolvidas, especialmente no duodeno, que contém glândulas de Brunner, responsáveis pela secreção alcalina que neutraliza o quimo ácido. O jejuno e o íleo mostraram vilosidades menores e presença de folículos linfoides. No intestino grosso, as vilosidades estão ausentes, e há abundância de criptas, células caliciformes e tecido linfoide, além de espessamento da camada muscular. A microbiota intestinal apresentou variação ao longo dos segmentos. No intestino delgado, foram encontradas principalmente bactérias dos gêneros Bacillus, Serratia, Streptococcus, Citrobacter e Enterococcus, com menor diversidade em relação ao intestino grosso. Já no ceco e cólon, houve aumento na diversidade bacteriana, predominando bacilos Gram-negativos, especialmente Escherichia coli, presente em quase todos os animais. Outros gêneros identificados incluíram Proteus mirabilis, Pseudomonas spp., Corynebacterium spp. e Salmonella spp., indicando intensa atividade fermentativa e maior metabolismo microbiano nas porções finais do trato digestivo. Em conclusão, o estudo demonstrou que os catetos possuem estrutura intestinal e microbiota semelhantes às dos suínos, com clara diferenciação funcional entre os segmentos.


Referências