Manejo da podridão causada por Fusarium sulawesiense em melão do tipo Gália
Mikael Sousa da Silva
Luiz Fernando Bezerra Evangelista
Breno de Holanda Almeida de Holanda Almeida
Pedro Emanuel da Silva Mendonça
Márcia Michelle de Queiroz Ambrósio
Palavras-chave: Array, Array, Array, Array
Resumo
O Brasil é um dos maiores exportadores de melão do mundo. Apesar da alta produtividade e das práticas de manejo, perdas ainda ocorrem no campo e no pós-colheita, principalmente devido a patógenos, dentre estes, destacam-se espécies do gênero Fusarium. O controle deste fitopatógeno enfrenta restrições sanitárias em relação ao uso de químicos, especialmente em função das exigências dos mercados importadores; além disso, existe a resistência do patógeno aos fungicidas. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da termoterapia isoladamente e combinada com alternativas ao químico sobre melões tipo Gália inoculados com F. sulawesiense. O experimento foi conduzido no Laboratório de Microbiologia e Fitopatologia da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), utilizando melão tipo Gália (Cucumis melo var. reticulatus 'Gália Citrino'). Foram realizados dois ensaios idênticos sob delineamento inteiramente casualizado (DIC), com oito tratamentos e sete repetições (sendo um fruto por repetição). Os frutos foram submetidos aos seguintes tratamentos: (1) testemunha com presença de Fusarium (CI: controle inoculado); (2) 1-MCP (1-metilciclopropeno) na dosagem de 600 nL/L; (3) termoterapia (TM: 58 °C por 150 segundos); (4) termoterapia (58 °C por 150 segundos) associada ao tratamento 2; (5) giberelina na dosagem de 2,5 g·10 L⁻¹ durante 30 segundos de contato com o pedúnculo; (6) termoterapia (58 °C por 150 segundos) associada ao tratamento 5; (7) Graduate A+ (GRAD: Axistrobina + Fludioxonil) a 3 mL·L⁻¹ de água; e (8) termoterapia (58 °C por 150 segundos) associada ao tratamento 7. Os tratamentos que receberam 1-MCP foram mantidos em uma câmara hermética por 12 h a 29 ± 1ºC, e umidade relativa de 65 ± 2%. Após a aplicação dos tratamentos, os frutos foram armazenados em câmara fria (10 ± 2 °C) por um período de 20 dias. Em seguida, foram avaliadas as variáveis, severidade da doença por meio das medidas das lesões; físico-químicas (pH, firmeza e °Brix) e análises das enzimas peroxidase, catalase e o nível de peróxido de hidrogênio. Para a comparação de médias, os dados foram submetidos ao teste de Kruskal-Wallis (p < 0,05) no software R. Os resultados mostraram que a termoterapia, termoterapia + 1-MCP, Graduate A+ e termoterapia + Graduate A+ reduziram a severidade da doença em 72,2; 66,7; 69,4 e 77,8 %, respectivamente, em comparação ao controle inoculado. Entre os tratamentos avaliados, a combinação de termoterapia e 1-MCP destacou-se por promover maior redução da severidade, a preservação da qualidade por meio da manutenção da firmeza e o estímulo da atividade antioxidante, evidenciado pela ativação da enzima catalase e pela redução dos níveis de peróxido de hidrogênio nos frutos. Assim, a termoterapia associada ao 1-MCP apresenta-se como alternativa promissora e ambientalmente segura no manejo da podridão do melão causada por F. sulawesiense.