Qualidade de água para consumo humano em sistemas prediais de água potável de um campus universitário
Herick Rodrigues Barreto
Luiz Davi Rebouças da Silva
Sara Ellyn Rocha Silva
Genevile Carife Bergamo
Solange Aparecida Goularte Dombroski
Palavras-chave: Array, Array, Array, Array
Resumo
A água potável constitui um elemento fundamental para o bem-estar humano em suas múltiplas funções, e o seu fornecimento em quantidade e qualidade adequadas é imprescindível para a preservação da saúde pública. Contudo, inadequabilidades de projeto, construção, operação ou manutenção de sistemas prediais de água para consumo humano podem comprometer sua qualidade, especialmente em sistemas complexos e extensos como campi universitários. Nesse sentido, este trabalho teve por objetivo geral, monitorar a qualidade da água para consumo humano em parte das edificações da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) – Campus Sede, possibilitando orientar ações que contribuam para a proteção da saúde dos usuários dos sistemas prediais. O trabalho foi realizado em três etapas gerais: amostragem de água, tabulação dos resultados e análise estatística. A etapa de amostragem (de monitoramento e de investigação) da qualidade da água para consumo humano foi executada entre 16 de setembro de 2024 a 3 de junho 2025 e abrangeu 162 pontos (46 bebedouros e 116 reservatórios prediais) localizados em 98 setores/edificações da instituição. Foram monitorados seis parâmetros de qualidade da água, sendo: coliformes totais, Escherichia coli (E. coli), cloro residual livre (CRL), turbidez, cor aparente e temperatura. A etapa de tabulação de dados ocorreu pela inserção destes em um Sistema de Informações criado em planilhas eletrônicas e registrado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Para a análise estatística, utilizou-se o teste de Wilcoxon / Mann-Whitney, com 5% de significância e empregou-se o programa R versão 4.4.1. Com relação aos resultados de qualidade da água nos reservatórios prediais, observou-se conformidade de 80,3%, 88,0%, 35,9%, 100% e 98,3% para coliformes totais, E. coli, CRL, turbidez e cor aparente, respectivamente. Já, para bebedouros, os percentuais de conformidade foram de 89,1%, 97,8%, 2,2%, 100% e 100%, respectivamente. Sobre a temperatura da água de reservatórios prediais e de bebedouros, a variação observada foi de 27,0 a 40,6 °C e 4,2 a 34,3 °C, respectivamente. Foi possível observar ainda que o CRL apresentou uma maior concentração (p < 0,0001) nas amostras com ausência de coliformes totais, e também nas amostras com ausência de E. coli (p = 0,0037). Para turbidez, não há evidências da diferença nestas amostras com ausência e presença de coliformes totais (p = 0,1472) e de E. coli (p = 0,3824). Para o CRL, estes resultados estão em consonância com o observado na literatura: a presença de agente desinfetante apresenta relação com a ausência de coliformes totais e E. coli. Os parâmetros analisados estatisticamente (CRL e turbidez) podem ser indicativos da qualidade microbióligica da água, mas não devem ser considerados como preditores de sua potabilidade. De um modo geral, este trabalho evidenciou a importância do monitoramento da água para consumo humano nos sistemas prediais da instituição, destacando a necessidade de ações preventivas e corretivas como, por exemplo, fechamento adequado de reservatórios, limpeza e desinfecção de reservatórios e de bebedouros. Tais medidas se mostram essenciais para garantir a potabilidade da água e, consequentemente, a proteção da saúde da comunidade universitária.