PREVALÊNCIA DE TIREOIDITES EM MULHERES QUE PROCURAM TRATAMENTO DE INFERTILIDADE EM MOSSORÓ

Fabrícia Barroso Rodrigues

Isadora Pereira Bandeira

Victor Gabriel Freire de Gouveia

Raissa Carolina Dantas Mesquita de Medeiros

Gerlane Modesto da Silva Balzani

Palavras-chave: Array


Resumo

A infertilidade é definida como a incapacidade de conceber após um ano de relações sexuais regulares e desprotegidas. Dentre as causas femininas, estudos recentes mostram o impacto de disfunções tireoidianas na fertilidade feminina. Em Mossoró, no Rio Grande do Norte, foi implementado o primeiro ambulatório de infertilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) do interior do estado, porém os dados de seus atendimentos ainda não foram processados e analisados para gerar informações acerca das demandas e desafios locais. Esse trabalho objetivou auxiliar a elucidar o perfil das mulheres que procuram atendimento nesse ambulatório, discriminando as características das pacientes e suas necessidades, visando contribuir para maior esclarecimento sobre a prevalência desse complexo problema. Para isso, foram analisados 202 prontuários médicos de pacientes atendidas em um ambulatório de Infertilidade e Reprodução Humana Assistida localizado em Mossoró, Rio Grande do Norte, entre março de 2023 e março de 2025, independentemente de ainda estarem ou não em acompanhamento. A análise dos prontuários foi realizada de forma retrospectiva, a partir do Sistema de Prontuário Eletrônico Multidisciplinar dos hospitais da rede estadual do Rio Grande do Norte (PEP-RN). Tratou-se de um estudo transversal e de caráter descritivo. Foram analisadas informações como dados demográficos, incluindo faixa etária, etnia, tipo de acesso à saúde e dados relativos à história médica, ginecológica e obstétrica, incluindo variáveis como as características do ciclo menstrual e presença de histórico de doenças da tireoide. Os dados foram tabulados em planilhas e analisados por estatística descritiva com auxílio dos programas Microsoft Excel e IBM SPSS. O presente estudo foi submetido ao Comitê de Ética, responsável nº 5294, da UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, CAAE: 77290323.0.0000.5294 e aprovado no CEP/CONEP em 09/05/2024, com número do Parecer: 6.814.556. Foram analisados um total de 202 prontuários, dos quais foram selecionados aqueles com dados referentes ao TSH ou relato de doença tireoidiana prévia, totalizando, por fim, 44 prontuários. A análise dos prontuários demonstrou que há uma prevalência relevante do hipotireoidismo nesta população (29,5%), apesar de que apenas 44 dos 202 prontuários possuíam dados referentes à tireoide, o que demonstra uma limitação do presente estudo. Houve predominância da etnia parda (59%) em relação à branca e à preta. Além disso, houve predomínio de mulheres na faixa etária de 30-34, com uma média de 36,15 anos entre as mulheres com disfunção tireoidiana e de 35,07 entre as mulheres sem disfunção tireoidiana, o que demonstra o papel da idade como um importante fator associado à infertilidade, uma vez que dificilmente apenas um fator de infertilidade é causador da condição. Ademais, houve uma maior frequência de pacientes que relataram ter acesso à saúde unicamente via SUS (61,3%), demonstrando a importância do serviço público de saúde para a democratização do acesso a serviços de assistência à reprodução humana. Conclui-se que o hipotireoidismo é um importante fator de infertilidade na população estudada, reforçando a importância de incluir a investigação de doenças tireoidianas na propedêutica da infertilidade feminina.


Referências