Adsorção Combinada com Floculação Iônica para Remoção de Ácido Acetilsalicílico

Ariane Pereira Bezerra

José Gustavo Lima de Almeida

Francisco Wilton Miranda da Silva

Camila Rodrigues Pessoa

Rafael Barbosa Rios

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Resumo

O aumento do consumo de fármacos e sua presença em efluentes e corpos hídricos têm gerado
preocupação ambiental, devido à persistência dessas substâncias e à baixa eficiência dos
tratamentos convencionais. Entre os compostos mais detectados está o ácido acetilsalicílico
(AAS), amplamente utilizado como analgésico, antipirético e anti-inflamatório. Seu uso
frequente e descarte inadequado resultam em sua constante detecção em águas residuais,
reforçando a necessidade de métodos alternativos de remoção. A adsorção com carvão ativado
é amplamente usada para separação de fármacos da água, porém apresenta longos tempos
de equilíbrio e uma etapa de separação de fases dispendiosa. Neste contexto, este estudo
investigou a remoção de AAS em solução aquosa combinando adsorção e floculação iônica
micelar. O carvão ativado comercial WV1050 (Mead-Westvaco, EUA) foi usado como
adsorvente por sua alta área superficial e eficiência na remoção de compostos orgânicos. A
metodologia experimental consistiu na síntese do tensoativo e a obtenção das cinéticas e
isoterma de adsorção. O palmitato de sódio foi obtido pela reação entre ácido palmítico e
hidróxido de sódio. No processo de separação usando o tensoativo, o cloreto de cálcio foi usado
como floculante para formar micelas que interagem com o fármaco. Para avaliar a remoção,
inicialmente, foram determinadas as cinéticas de remoção por adsorção, floculação e ambos
os métodos combinados. Os experimentos foram conduzidos em sistema batelada a 25 °C e
sob agitação de 160 rpm, com soluções de AAS de concentração inicial de 100 mg/L. A
concentração de AAS foi monitorada por espectrofotometria UV-Vis a 210 nm. Os resultados
mostraram que a adsorção isolada apresentou eficiência média de 57,56%, atingindo o
equilíbrio em 30 minutos, enquanto a floculação iônica micelar obteve 52,47% em 20 minutos.
O processo combinado de adsorção assistida por floculação iônica apresentou desempenho
superior, removendo 72,43% do AAS em 5 minutos. A partir da isoterma de remoção a 25 °C,
observou-se percentuais de remoção de até 74,73% para concentrações de equilíbrio entre 20
e 50 mg/L. Esse resultado evidencia o efeito sinérgico entre os mecanismos de captura pelas
micelas e sua posterior fixação no carvão ativado, resultando em uma remoção mais rápida em
comparação aos métodos aplicados individualmente. Conclui-se que a integração das técnicas
avaliadas é uma alternativa promissora para o tratamento de águas contaminadas por
fármacos, demonstrando potencial de aplicação em sistemas de purificação e mitigação de
contaminantes emergentes.


Referências