AUMENTO DA MESOFAUNA EDÁFICA RESULTANTE DO ESTABELECIMENTO DE ÁRVORES E EXCLUSÃO DE ANIMAIS EM UM SÍTIO DEGRADADO DE CAATINGA

Autores

  • Samara Paulo dos Santos Fernandes Forestry Academic Unit/Center of Rural Health and Technology, Universidade Federal de Campina Grande, Patos, PB https://orcid.org/0000-0002-3920-8621
  • Olaf Andreas Bakke Forestry Academic Unit/Center of Rural Health and Technology, Universidade Federal de Campina Grande, Patos, PB https://orcid.org/0000-0003-2324-0165
  • Ivonete Alves Bakke Forestry Academic Unit/Center of Rural Health and Technology, Universidade Federal de Campina Grande, Patos, PB https://orcid.org/0000-0002-6015-6977
  • Rozileudo da Silva Guedes Forestry Academic Unit/Center of Rural Health and Technology, Universidade Federal de Campina Grande, Patos, PB https://orcid.org/0000-0002-8556-0183
  • Kyegla Beatriz da Silva Martins Department of Agricultural Engineering and Soil, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, BA https://orcid.org/0000-0002-3261-1389

Palavras-chave:

Recuperação ambiental. Acarina. Collembola. Jurema preta. Faveleira.

Resumo

A degradação ambiental impacta negativamente a diversidade e a quantidade dos invertebrados do solo, notadamente em regiões semiáridas. Geralmente, uma alta diversidade de invertebrados indica a biofuncionalidade e a sustentabilidade do uso do solo. Nós avaliamos o efeito de 14 anos de isolamento e da presença das árvores nativas Mimosa tenuiflora e Cnidoscolus quercifolius na mesofauna do solo de uma área degradada de Caatinga, de acordo com o teste do x2 aplicado aos dados de abundância desses microorganismos. O isolamento da área sozinho mais que triplicou a mesofauna do solo. A abundância da mesofauna sob a copa da M. tenuiflora aumentou 3,17 e 3,41 vezes na área com e sem pastejo, respectivamente, e sob a copa da C. quercifolius aumentou em 22.6 vezes na área sem pastejo. O efeito da M. tenuiflora na área pastejada foi similar ao de 14 anos de isolamento. A quantidade da mesofauna sob a copa de C. quercifolius após 14 anos de isolamento foi 6,6 vezes maior do que a observada sob a de M. tenuiflora em condições similares. O isolamento da área e árvores, especialmente C. quercifolius, aumentaram a quantidade da mesofauna do solo, porém, a recuperação total desses organismos em áreas degradadas de Caatinga pode necessitar de mais de 14 anos. Considerando o cenário atual de degradação ambiental crescente, nossos dados sobre as relações entre a mesofauna do solo, o isolamento de áreas e árvores nativas são importantes para delinear estratégias e procedimentos para a recuperação de áreas degradadas no bioma Caatinga.

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Publicado

20-09-2022

Edição

Seção

Ciências Florestais