PEDOGÊNESE EM ÁREA DE TABULEIROS COSTEIROS COM BAIXA AMPLITUDE ALTIMÉTRICA NO ESTADO DA PARAÍBA

Palavras-chave: Podzolização. Formação Barreiras. Caulinita. Horizontes Cimentados.

Resumo

Pequenas variações de relevo influenciam na drenagem e no escoamento superficial, contribuindo para a formação de horizontes superficiais arenosos e subsuperficiais endurecidos (fragipãs e, ou, duripãs) em solos dos Tabuleiros Costeiros. Este trabalho investigou a pedogênese em área de Tabuleiros Costeiros com baixa amplitude altimétrica no Estado da Paraíba; secundariamente, buscamos contribuir para o aprimoramento do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS). Quatro perfis de solos foram descritos e coletados para a realização das análises físicas e químicas de rotina, extrações de Fe, Si e Al por digestão sulfúrica, por ditionito-citrato-bicarbonato de sódio, por oxalato ácido de amônio e por pirofosfato de sódio, e as análises mineralógicas das frações areia e argila por difratometria de raios X. A densidade ótica do extrato de oxalato (ODOE) também foi determinada; os resultados obtidos foram estatisticamente avaliados utilizando o programa R. As variações do microrrelevo condicionando fluxos diferenciados de água, juntamente com a textura arenosa dos horizontes superficiais (A e E) e a menor relação areia grossa/areia fina no horizonte subsuperficial, parece favorecer o acúmulo de argila em profundidade nos Espodossolos desenvolvidos no ambiente dos Tabuleiros Costeiros. Para esses solos, o caráter argissólico em nível de subgrupo do SiBCS deveria ser incorporado. Além disso, fases mineralógicas amorfas e, ou, de baixa cristalinidade de Al têm importante participação na formação de horizontes fortemente cimentados (duripãs) dos Espodossolos. Finalmente, a ODOE mostrou-se eficiente como indicador de solos sob processo de podzolização e poderia ser utilizada como critério taxonômico para classificação de Espodossolos pelo SiBCS.

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Publicado
2019-05-21
Seção
Engenharia Agrícola