QUALIDADE, COMPOSTOS BIOATIVOS E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DURANTE A MATURAÇÃO DE LARANJAS PRODUZIDAS NO TERRITÓRIO DA BORBOREMA

Palavras-chave: Citrus sinensis. Padrões de qualidade. Albedo. Potencial funcional. Agregação de valor.

Resumo

A agricultura familiar do Território da Borborema-PB, produz laranjas doces  que supre o mercado regional. Nesse contexto, se faz necessária a definição de padrões de identidade e qualidade, bem como quantificar os compostos bioativos nas porções do fruto buscando a agregação de valor, visando mercados mais competitivos. O objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade, compostos bioativos e atividade antioxidante de laranjas da citricultura familiar. Utilizou-se um DIC, fatorial 3x3, com três cultivares (‘Baía’, ‘Comum’ e ‘Mimo-do-Céu’), três estádios de maturação C1 (predominantemente verde); C2 (verde amarelado) e C3 (amarelo), com 60 repetições de um fruto para as avaliações físicas e 4 de 15 frutos para as demais. As avaliações no fruto inteiro foram: índice de coloração, comprimento, diâmetro, massa fresca  e firmeza. No suco foram avaliados: rendimento, pH, sólidos solúveis, acidez titulável, SS/AT e ácido ascórbico. Os polifenóis extraíveis totais (PET) e atividade antioxidante total (AAT) foram determinados pelos métodos ABTS•+ e DPPH no suco e albedo. As laranjas ‘Baia’ e ‘Mimo-do-Céu’ apresentam parâmetros de qualidade que se enquadram nas Normas do CEAGESP. Em média o teor de ácido ascórbico foi superior a 45 mg.100g-1, sendo a ‘Mimo–do-Céu’ com maior teor (50,26 mg.100g-1). Durante a maturação a firmeza diminuiu e os sólidos solúveis, PET e a AAT do suco e do albedo aumentaram. Em geral, o albedo apresentou teor de PET cerca de oito vezes superior ao do suco, que refletiu em AAT bem superior nesta porção que, portanto, se destacou pelo elevado potencial funcional, principalmente na laranja ‘Baia’.

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Publicado
2019-05-22
Seção
Engenharia de Alimentos