CARACTERIZAÇÃO DE RIZÓBIOS E FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES EM ÁREAS IMPACTADAS PELA EXPLORAÇÃO DE PIÇARRA NA CAATINGA

Palavras-chave: Fixação biológica de nitrogênio. Simbiose tripartite. Recuperação de áreas degradadas. Mineração. Petróleo.

Resumo

A exploração de petróleo em terra é uma das principais atividades econômicas da região semiárida (Caatinga) do estado do Rio Grande do Norte. Um dos impactos ambientais desta atividade constitui a exploração mineral da piçarra, tipo de cascalho utilizado no embasamento de instalações, como bases de poços, e na construção de estradas de acesso. Ao final da exploração, as jazidas de piçarra e demais áreas descomissionadas, onde a piçarra foi depositada, devem ser revegetadas com espécies nativas do bioma. O plantio de espécies leguminosas, capazes de realizar associações com rizóbios e fungos micorrízicos arbusculares (FMA), tem se mostrado uma estratégia eficiente para revegetação de áreas degradadas. Entretanto, o impacto das atividades de exploração sobre as populações autóctones desses microrganismos é desconhecido. Esse estudo objetivou caracterizar a densidade de rizóbios e de esporos de FMA em quatro áreas impactadas pela exploração de petróleo no RN em relação ao presente em áreas adjacentes não impactadas. Amostras de piçarra foram coletadas nas estações seca e chuvosa em duas jazidas, uma base de poço e uma central de resíduos. Paralelamente, amostras de solo superficial (topsoil) foram coletadas em áreas adjacentes com vegetação nativa da Caatinga. Ensaios foram conduzidos visando obter o número mais provável (NMP) de rizóbios e a densidade e identificação de fungos micorrízicos arbusculares (FMA). Utilizou-se como plantas-isca de rizóbios Mimosa tenuiflora (Mart.) Benth. e Mimosa caesalpiniifolia Benth. O NMP de rizóbios mostrou-se baixo em todas as áreas, sendo superior no período chuvoso. As maiores quantidade e diversidade de esporos de FMA foram obtidas no período seco. Dos microrganismos simbiontes estudados, os FMA apresentaram-se em baixas densidades nas áreas de exploração mineral em relação às de vegetação nativa, refletindo o impacto dessa atividade.

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Publicado
2019-11-19
Seção
Ciências Florestais