QUALIDADE, ATIVIDADE ANTIOXIDANTE E ENZIMÁTICA DE FRUTOS DO FACHEIRO (Pilosocereus pachycladus RITTER) DURANTE A MATURAÇÃO

Palavras-chave: Cactaceae. Maturidade. Compostos bioativos. DPPH. Atividade da peroxidase.

Resumo

Os frutos de Cactaceas do Nordeste Brasileiro têm sido alvo de muitos estudos etnobotânicos e de qualidade funcional. No entanto, ainda há um número considerável de espécies pouco exploradas, como o facheiro (Pilosocereus pachycladus Ritter), planta nativa e de ampla ocorrência e uso na Caatinga. O objetivo desta pesquisa foi avaliar a qualidade, atividade antioxidante e da peroxidase (POD) de frutos do facheiro durante a maturação. Os frutos foram colhidos de áreas de ocorrência de plantas em três estádios de maturação, com base na coloração do epicarpo (V – verde, IP – verde com início de coloração roxa e R – completamente roxo), do município de Pocinhos, Paraíba. Foi realizado um levantamento de termos descritores sensoriais de aparência dos frutos e, em seguida, avaliações físicas, físico-químicas, compostos bioativos, atividade antioxidante e da POD durante a maturação. Os frutos foram descritos como bagas carnosas, com epicarpo liso, formato redondo-achatado, cor roxa opaca, polpa suculenta e macia quando maduros. A qualidade variou durante a maturação, sendo as mudanças mais expressivas as de coloração: tornou-se mais roxa com o avanço da maturação, proporcionando um claro indicador de maturidade. Com a maturação, observou-se um aumento nos conteúdos de betalaínas e polifenóis extraíveis totais, bem como a atividade antioxidante, pela captura do radical DPPH, principalmente na polpa, A polpa do fruto de Pilosocereus pachycladus é uma fonte importante de betalaínas, principalmente  betacianinas. Durante a maturação, a atividade da POD diminuiu no pericarpo e aumentou na polpa e foi fortemente correlacionada com a presença de betalaínas e com a atividade antioxidante.

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Publicado
2019-11-19
Seção
Engenharia de Alimentos