CICLOS DE CORTE E POTENCIAL APORTE DE CARBONO AO SOLO EM MANEJO FLORESTAL DA CAATINGA

Palavras-chave: Floresta tropical seca. Domínio Fitogeográfico da Caatinga. Biomassa vegetal. Regeneração. Resíduos florestais.

Resumo

O manejo florestal na floresta tropical seca do Brasil expandiu em 450% nas duas últimas décadas; mas pouco se sabe da dinâmica nessas áreas. Assim, em uma área manejada para produção de carvão, objetivou-se avaliar se a recuperação dos estoques originais médios de biomassa (EOMB) é um critério consistente para definir ciclos de corte, além disso, determinou-se a biomassa remanescente e seu potencial de aporte de carbono ao solo. O estudo foi realizado no Assentamento Ramalhete, General Sampaio-CE, no ano de 2018. Determinou-se a biomassa arbustiva-arbórea explorável (BAAE) e o incremento médio anual (IMA) em cinco talhões submetidos ao corte raso há 3, 5, 8, 11 e 15 anos, e reserva legal (40 anos em regeneração). Em cada talhão foram instaladas sete parcelas (20,0 m x 20,0 m), totalizando 42 parcelas amostrais. Comparou-se a BAAE com a de projeto e calculou-se a biomassa remanescente (ramos, cepas e serapilheira) em um talhão recém explorado, a qual foi convertida para carbono orgânico. Quanto à biomassa remanescente, a ordem de maior potencial de aporte de carbono ao solo foi ramos > serapilheira > cepas. O aporte oriundo do componente ramos é superior ao da serapilheira em 3,4 vezes. A simples recuperação dos EOMB de um talhão após o corte raso não serve como critério para se definir um novo ciclo de corte, pois esses estoques originais não representam a máxima BAAE possível para essa área; sendo a biodiversidade e a presença de mais BAAE nas classes de maior diâmetro critérios mais adequados.

 

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Publicado
2020-07-31
Seção
Ciências Florestais