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O processo legislativo do Estatuto do Cigano

uma perspectiva etnográfica

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.21708/issn2526-9488.v10.n19.p209-228.2026

Resumen

O presente artigo analisa a construção político-jurídica do Estatuto do Cigano, com base numa etnografia da tramitação do Projeto de Lei do Senado n.º 248/2015, da autoria do senador Paulo Paim, acompanhada entre 2015 e 2021. A investigação não se limitou a compreender a lógica formal do processo legislativo, mas também as práticas e disputas que o atravessam, revelando como a criação da lei é permeada por tensões, negociações e estratégias invisíveis nos registos oficiais. A etnografia, de caráter multissituado, articulou a observação participante no Senado Federal, entrevistas com líderes ciganos e assessores parlamentares, análise documental e imersão num acampamento da comunidade Calon proponente do projeto. O estudo concluiu que as principais disputas não se concentram no texto do projeto, mas sim na legitimidade daqueles que falam em nome dos ciganos/Roma. O estudo também evidenciou como as audiências, as votações e as reuniões das comissões se constituem como verdadeiros rituais políticos, nos quais as formalidades e as práticas cotidianas estabelecem hierarquias e legitimidades. Conclui-se que os direitos dos ciganos no Brasil surgem como uma construção recente, marcada por disputas de representação, e que a etnografia permite observar aspetos do funcionamento da vida parlamentar.

Biografía del autor/a

Phillipe Cupertino Salloum e Silva, Universidade Federal de Jataí (UFJ)

Doutor e Mestre em Antropologia. Bacharel em Direito. Professor Adjunto da Universidade Federal de Jataí - UFJ.

Luiz Eduardo Figueira, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Luiz Eduardo Figueira é Professor Associado da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desenvolvendo suas atividades nos cursos de graduação, mestrado e doutorado em Direito ? PPGD. Coordena o Núcleo de Cultura Jurídica, grupo que reúne pesquisadores de diferentes instituições e níveis de formação. Possui graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1995), é mestre (2000) e doutor (2007) em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense. É autor de "A produção da verdade nas práticas judiciárias criminais brasileiras" (RJ: Lumen Juris/Eduff, 2005) e "O ritual judiciário do tribunal do júri" (Porto Alegre: Antonio Fabris, 2008). Foi bolsista de produtividade em pesquisa - PQ/CNPQ, no período de março/2013 a fevereiro/2016. Como antropólogo, tem desenvolvido pesquisas de campo (etnografia) na Justiça Criminal do Estado do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Sociologia/Antropologia do Direito, atuando, principalmente, nos seguintes temas: relações de poder no campo jurídico, antropologia das decisões judiciais, antropologia dos direitos humanos, produção da verdade jurídica.

Publicado

2026-06-16

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